Choro, gritos e resistência diante de uma negativa são situações comuns em determinadas fases da infância. Conhecidos como birras, esses episódios costumam ganhar força por volta dos dois anos, quando a criança começa a expressar suas próprias vontades, mas ainda não consegue compreender e controlar completamente as emoções.
Segundo a psicóloga Bárbara Emprota, os momentos de frustração fazem parte do desenvolvimento infantil e ajudam a preparar os pequenos para lidar com situações difíceis ao longo da vida. Nesse processo, os adultos têm o papel de acolher os sentimentos, estabelecer limites e ensinar maneiras mais adequadas de expressar o que a criança está sentindo.
Uma das estratégias destacadas pela especialista é ajudar os pequenos a identificar e nomear as emoções. Aprender a reconhecer sentimentos como tristeza, raiva e frustração permite que a criança desenvolva, gradualmente, recursos para se comunicar e enfrentar situações desagradáveis.
Por que os dois anos são uma fase de tantas birras?
Conhecido popularmente como “bebelescência” ou “adolescência dos bebês”, esse período é marcado pelo crescimento da autonomia. A criança começa a demonstrar com mais intensidade o que deseja, mas ainda está aprendendo a lidar com as regras e limitações impostas pelos adultos.
É justamente essa diferença entre querer algo e conseguir lidar com uma negativa que pode desencadear crises emocionais.
Beatriz, filha do cirurgião ginecológico Deraldo Falcão, está passando por essa etapa. Segundo o pai, a família procura entender o que provoca a irritação e respeitar o tempo da menina, oferecendo carinho quando ela aceita o contato.
Quando a filha chora porque deseja alguma coisa, os pais tentam compreender o motivo da reação e explicar se o pedido poderá ou não ser atendido. A ideia é reconhecer o sentimento da criança sem necessariamente ceder à sua vontade.
Como estabelecer limites sem gritar ou castigar
O psiquiatra Vinícius Pedreira, especialista em infância e adolescência do Hospital Mater Dei, explica que os adultos precisam intervir para demonstrar que existem regras e limites. Isso não significa, porém, que a educação deva envolver violência física, punições ou gritos.
A orientação é explicar o que está acontecendo, manter uma postura firme e permitir que a criança expresse suas emoções. Dessa forma, ela começa a compreender que sentir raiva ou tristeza é natural, mas que nem todos os desejos podem ser atendidos imediatamente.
Durante uma birra, algumas atitudes podem ajudar:
- Manter a calma e evitar responder aos gritos com mais gritos.
- Reconhecer o sentimento da criança, demonstrando que ela está sendo ouvida.
- Explicar os limites com palavras simples e adequadas à idade.
- Manter as regras de maneira consistente, sem ceder apenas para interromper o choro.
- Oferecer acolhimento quando a criança estiver receptiva ao contato.
- Ajudar o pequeno a encontrar outras formas de expressar o que deseja.
Acolher as emoções também faz parte da educação
Acolher uma criança durante uma crise não significa permitir tudo o que ela pede. É possível demonstrar compreensão pela frustração e, ao mesmo tempo, manter uma decisão.
Quando os responsáveis explicam os limites com clareza e oferecem apoio para lidar com as emoções, ajudam os pequenos a desenvolver habilidades importantes para a convivência e para a resolução de conflitos.
Esse aprendizado acontece gradualmente e exige paciência. Com o tempo, a criança tende a ampliar seu vocabulário emocional e a encontrar maneiras mais adequadas de comunicar suas necessidades.
As birras fazem parte do desenvolvimento infantil, mas cada criança tem seu próprio ritmo. Quando as crises são muito intensas, frequentes, persistentes ou prejudicam significativamente a rotina familiar e escolar, buscar orientação de um pediatra ou profissional de saúde mental infantil pode ajudar a compreender o que está acontecendo.
*Da Agência Fonte Exclusiva








