O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as projeções de crescimento da economia brasileira para 2026 e 2027. Em relatório divulgado na segunda-feira (12), a instituição passou a estimar uma expansão de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, ante os 2,4% previstos anteriormente. Para 2027, a expectativa caiu de 2,2% para 1,9%.
As novas estimativas fazem parte do relatório Panorama Econômico Mundial, intitulado “Resiliência sob pressão, escolhas urgentes”. Apesar da revisão para baixo, a projeção para 2026 representa uma melhora em relação à previsão divulgada em abril, quando o FMI esperava crescimento de 1,9%. Para 2025, a instituição calcula que a economia brasileira tenha avançado 2,3%.
Segundo o organismo internacional, o ritmo mais moderado da atividade econômica está relacionado à manutenção de juros elevados para conter a inflação, à redução dos estímulos fiscais e às incertezas no cenário internacional. Esses fatores devem limitar a expansão da economia brasileira nos próximos anos.
Inflação deve desacelerar gradualmente
O relatório também apresenta estimativas para o comportamento dos preços no Brasil. O FMI projeta inflação média anual de 4,4% em 2026, com redução para 4,1% em 2027. Em 2025, a média ficou em 5%.
Os números representam a variação média dos preços ao consumidor ao longo de cada ano, e não a inflação acumulada até dezembro. A distinção é importante porque os dois indicadores utilizam formas diferentes de calcular a evolução dos preços.
A expectativa de desaceleração da inflação ocorre em um cenário no qual a política monetária permanece restritiva, com juros elevados como instrumento para controlar as pressões sobre os preços.
FMI prevê aumento do desemprego
As projeções para o mercado de trabalho também indicam uma mudança gradual. Após registrar uma taxa de desemprego de 6% em 2025, o Brasil deverá alcançar 6,2% em 2026 e 6,8% em 2027, de acordo com as estimativas do fundo.
A previsão acompanha a perspectiva de desaceleração econômica. Quando a atividade perde ritmo, empresas podem reduzir o ritmo de contratações, o que tende a afetar a geração de empregos. Os números, entretanto, representam projeções e podem mudar conforme o desempenho da economia e as condições do mercado de trabalho.
América Latina deve crescer mais que o Brasil
Para a América Latina e o Caribe, o FMI estima crescimento econômico de 2,3% em 2026 e de 2,5% em 2027. As projeções regionais ficam acima das expectativas para o PIB brasileiro nos dois anos.
O documento também destaca que as oscilações nos preços internacionais da energia podem produzir efeitos diferentes entre os países latino-americanos. Economias exportadoras de commodities podem se beneficiar da valorização de determinados produtos, enquanto países dependentes da importação de energia tendem a enfrentar aumento de custos.
Essas diferenças tornam o desempenho econômico da região dependente de fatores como a composição das exportações, a necessidade de importar combustíveis e as condições do comércio internacional.
Economia mundial tem previsão de crescimento revisada para cima
No cenário global, o FMI elevou de 3% para 3,1% a projeção de crescimento econômico em 2026. Para 2027, a estimativa foi mantida em 3,4%.
O resultado indica uma perspectiva de expansão da economia mundial, embora permaneçam incertezas relacionadas às tensões internacionais, às condições financeiras e às mudanças nas políticas econômicas dos países.
Para o Brasil, o cenário traçado pelo FMI combina crescimento positivo com uma desaceleração gradual nos próximos anos. Juros restritivos, menor estímulo fiscal e fatores externos aparecem entre os principais elementos que podem influenciar o desempenho da atividade econômica.
*Da Agência Fonte Exclusiva








