Cerca de 1,2 bilhão de pessoas vivem em situação de pobreza multidimensional no mundo, segundo um relatório divulgado em 2026 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Iniciativa de Pobreza e Desenvolvimento Humano de Oxford (OPHI). Desse total, aproximadamente 617 milhões são crianças, e 83% das pessoas afetadas vivem em áreas rurais.
O levantamento considera que a pobreza não se resume à falta de dinheiro. Ela também envolve a ausência de serviços e condições essenciais para uma vida digna, como atendimento de saúde, educação, água potável, saneamento básico, eletricidade e moradia adequada.
Os dados evidenciam a dimensão das desigualdades sociais e os desafios enfrentados por milhões de famílias, especialmente em comunidades rurais, onde o acesso à infraestrutura e aos serviços públicos pode ser limitado.
Apesar desse cenário, o estudo destaca que alguns países conseguiram reduzir significativamente seus índices de pobreza em períodos relativamente curtos. Os resultados indicam que políticas públicas bem planejadas podem contribuir para melhorar as condições de vida e ampliar o acesso da população a serviços fundamentais.
Crianças estão entre as mais afetadas
A presença de 617 milhões de crianças entre as pessoas em situação de pobreza multidimensional chama a atenção para os impactos das privações durante os primeiros anos de vida.
A falta de alimentação adequada, atendimento médico e acesso à educação pode comprometer o desenvolvimento infantil e ampliar as desigualdades ao longo da vida.
Quando crianças crescem sem acesso a serviços básicos, também podem enfrentar mais dificuldades para permanecer na escola, desenvolver habilidades e alcançar melhores oportunidades profissionais no futuro.
O levantamento reforça, assim, a importância de iniciativas que garantam condições adequadas de desenvolvimento, principalmente para famílias em situação de maior vulnerabilidade social.
Como a pobreza multidimensional é medida
Para avaliar a realidade da população, o PNUD e a OPHI utilizam o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), que considera privações em três áreas principais: saúde, educação e condições de vida.
Na área da saúde, são analisados indicadores como nutrição e mortalidade infantil. Na educação, o índice considera os anos de escolaridade e a frequência escolar. Já nas condições de vida, são avaliados aspectos como acesso à água potável, saneamento, eletricidade e moradia.
Essa abordagem permite identificar situações em que uma pessoa pode até ter alguma renda, mas continua enfrentando diversas privações essenciais.
Políticas públicas são fundamentais para reduzir desigualdades
O relatório destaca a importância de fortalecer políticas públicas e ampliar a cooperação internacional para enfrentar a pobreza. Entre as medidas relevantes estão a expansão dos serviços de saúde e educação, a melhoria do saneamento e o investimento em infraestrutura nas regiões mais vulneráveis.
A redução da pobreza multidimensional depende de ações capazes de atender a diferentes necessidades ao mesmo tempo. Por isso, iniciativas isoladas podem ser insuficientes quando as famílias enfrentam várias formas de privação.
Os resultados observados em alguns países indicam que avanços são possíveis quando há planejamento, continuidade das políticas e direcionamento dos recursos para as populações que mais precisam.
O estudo reforça que combater a pobreza exige mais do que elevar a renda: também é necessário garantir acesso a direitos e serviços básicos para ampliar as oportunidades e melhorar a qualidade de vida em diferentes regiões do planeta.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








