Vídeos publicados nas redes sociais têm ajudado a popularizar uma prática que pode trazer riscos à saúde: o consumo de medicamentos controlados junto com bebidas energéticas. A combinação é apresentada em alguns conteúdos como uma forma de aumentar a disposição, a concentração ou o desempenho durante as atividades do dia, mas especialistas alertam que a mistura pode provocar efeitos inesperados no organismo.
A preocupação levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a emitir um alerta sobre possíveis interações entre medicamentos e as substâncias estimulantes presentes nos energéticos. Dependendo do remédio utilizado, da quantidade consumida e das características de cada pessoa, a associação pode aumentar a possibilidade de reações adversas.
Entre os efeitos que podem aparecer estão a elevação da frequência cardíaca e da pressão arterial. A intensidade dessas alterações, no entanto, não é igual para todas as pessoas e pode variar conforme as substâncias envolvidas.
Energéticos também provocam alterações no organismo
A coordenadora do curso de Farmácia da Unifacs, Cristiane Metzker, explica que os próprios energéticos já podem causar respostas no organismo, principalmente por conta de seus componentes estimulantes.
Segundo a especialista, a bebida pode acelerar os batimentos cardíacos e elevar a pressão arterial. Quando é consumida simultaneamente com determinados medicamentos, esses efeitos podem ser potencializados.
Por isso, uma combinação que parece inofensiva em vídeos publicados na internet pode produzir uma reação diferente daquela esperada, especialmente quando envolve medicamentos que atuam no sistema nervoso ou cardiovascular.
Por que os medicamentos devem ser tomados com água?
A recomendação para ingerir comprimidos com água não é apenas uma questão de hábito. Outros líquidos podem interferir na forma como determinados medicamentos são absorvidos pelo organismo.
Café, refrigerantes, bebidas energéticas e álcool, por exemplo, podem interagir com componentes de alguns medicamentos e modificar a quantidade do princípio ativo que chega à corrente sanguínea.
Em determinadas situações, isso pode fazer com que uma concentração maior do medicamento seja absorvida, aumentando seus efeitos e também o risco de reações adversas. Em outros casos, a absorção pode ser reduzida e comprometer o resultado esperado do tratamento.
Por esse motivo, a orientação é utilizar água para tomar medicamentos, principalmente aqueles que precisam de acompanhamento e controle profissional.
Combinação pode interferir no tratamento
O problema da mistura entre medicamentos controlados e energéticos não está somente na cafeína ou em outros estimulantes. As interações dependem das características de cada medicamento e das substâncias presentes na bebida.
Além de possíveis alterações cardiovasculares, a combinação pode modificar a concentração do remédio no organismo e interferir em sua ação. Dessa forma, uma associação feita sem orientação pode prejudicar a eficácia do tratamento ou aumentar a ocorrência de efeitos colaterais.
A popularização desse tipo de prática nas redes sociais também preocupa porque os conteúdos podem transmitir a impressão de que a combinação é uma estratégia segura para conseguir mais energia ou concentração.
No entanto, medicamentos controlados possuem indicações, doses e formas específicas de utilização. Qualquer mudança na maneira de consumi-los deve ser discutida com um profissional de saúde.
Especialistas recomendam evitar misturas por conta própria
A orientação é não reproduzir combinações apresentadas em vídeos ou publicações na internet sem antes verificar os possíveis riscos. O fato de determinada mistura ser divulgada como uma forma de aumentar a disposição não significa que ela seja segura.
Medicamentos devem ser utilizados de acordo com a prescrição e as orientações de profissionais de saúde e, preferencialmente, ingeridos com água. Em caso de dúvida sobre a possibilidade de combinar um remédio com bebidas, alimentos ou outros produtos, é importante consultar um médico ou farmacêutico.
A associação entre medicamentos controlados e energéticos pode reunir substâncias com efeitos diferentes sobre o organismo e aumentar a possibilidade de reações indesejadas. Por isso, qualquer combinação desse tipo deve ser avaliada individualmente e nunca adotada apenas com base em conteúdos publicados nas redes sociais.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








