A aproximação entre Flávio Bolsonaro (PL) e Pablo Marçal nos últimos dias da campanha presidencial abriu uma nova frente de desconforto entre aliados do candidato em São Paulo. Nos bastidores, integrantes do grupo político ligado ao prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), demonstram resistência à presença cada vez mais frequente do influenciador ao lado do presidenciável.
O incômodo ocorre justamente na reta final do primeiro turno, quando Flávio concentra esforços em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. A preocupação relatada por aliados é de que a entrada de Marçal na campanha possa criar dificuldades na relação com lideranças paulistas que já trabalham pela candidatura do senador.
A aproximação ganhou força nesta semana. Na terça-feira (29), Marçal declarou apoio a Flávio e passou a colaborar com a campanha. Segundo o próprio candidato do PL, o influenciador deverá contribuir principalmente em propostas relacionadas a empreendedorismo e mobilidade social.
Marçal também participou de uma transmissão ao vivo realizada por Flávio na noite de quinta-feira (1º), depois que o candidato desistiu de participar do debate presidencial da TV Globo.
Ausências chamaram atenção
A live reuniu apoiadores da candidatura, mas algumas das principais lideranças paulistas que acompanham Flávio durante a campanha não participaram.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes e o candidato ao Senado André do Prado (PL) ficaram fora da transmissão. Entre os principais nomes da aliança paulista, Guilherme Derrite (PP), candidato ao Senado, participou.
A ausência desses aliados ocorreu enquanto Marçal ganhou espaço na transmissão. Segundo relatos publicados pela imprensa nesta sexta-feira (2), integrantes do grupo ligado a Nunes veem com cautela a aproximação.
Apesar do desconforto, não há indicação de rompimento político. Tarcísio e Nunes continuam apoiando a candidatura de Flávio. A resistência está concentrada na participação de Marçal em agendas ao lado dessas lideranças.
Eleição de 2024 ainda pesa
Boa parte da tensão tem origem na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024.
Ricardo Nunes e Pablo Marçal foram adversários naquela eleição. Marçal terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 28,14% dos votos válidos, enquanto Nunes avançou para o segundo turno e conquistou a reeleição.
A campanha foi marcada por confrontos entre os grupos. Um dos episódios de maior repercussão ocorreu após um debate, quando Duda Lima, então marqueteiro de Nunes e hoje responsável pelo marketing da campanha presidencial de Flávio, foi agredido por um integrante da equipe de Marçal.
A relação entre Nunes e Marçal permaneceu distante depois da eleição. Em agosto deste ano, o prefeito afirmou publicamente que aceitava um pedido de desculpas feito pelo influenciador, mas deixou claro que não pretendia estabelecer uma aproximação política.
Esse histórico ajuda a explicar por que a entrada de Marçal na campanha presidencial é acompanhada com reservas por parte dos aliados paulistas de Flávio.
Marçal ganha espaço na reta final
A aproximação entre os dois políticos já vinha sendo construída antes do apoio oficial.
Em agosto, Flávio elogiou Marçal publicamente ao falar sobre a necessidade de união entre lideranças de direita. Naquele momento, Marçal ainda tentava disputar a Presidência.
O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou posteriormente o registro de sua candidatura. Já fora da disputa presidencial, Marçal declarou apoio a Flávio e passou a participar diretamente de atividades da campanha.
Nesta semana, os dois apareceram juntos em uma agenda numa academia de jiu-jítsu na Vila Olímpia, em São Paulo. Flávio apresentou Marçal como colaborador para assuntos ligados ao empreendedorismo e à mobilidade social.
Campanha tenta ampliar votação em São Paulo
O movimento acontece quando a campanha de Flávio intensifica a presença no estado.
Nas últimas semanas, o candidato participou de eventos ao lado de Tarcísio, Nunes e outras lideranças locais. São Paulo ocupa posição central na estratégia eleitoral por reunir o maior número de eleitores do país.
Para integrantes do grupo paulista, o desafio agora é conciliar a incorporação de Marçal à campanha com alianças construídas anteriormente no estado.
Até esta sexta-feira, porém, o desconforto relatado nos bastidores não havia provocado mudança formal nos apoios. A expectativa é de que Tarcísio e Nunes continuem participando da campanha de Flávio, ainda que mantenham distância de agendas com Marçal.
As informações sobre o incômodo nos bastidores foram publicadas nesta sexta-feira (2) pela CNN Brasil e pela Jovem Pan.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








