Rafael Diniz corta passagem social em Campos-RJ, mas protege DAS, faz licitações milionárias e hesita diante dos empresários; o governo nasceu velho e caminha ao lado de figuras como o impetuoso “Pomba Gira”;
Da redação
O prefeito da cidade de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz (PPS), misturou-se a poeira. Está carimbadíssimo com a marca de gestor que não gosta de pobres. Em nove meses de governo, cortou praticamente todos os programas sociais que herdou da antecessora Rosinha Garotinho (PR) no mesmo compasso em que prorrogou um contrato de R$ 5 milhões com uma empresa de publicidade, fora outras licitações milionárias.
A retórica é inevitável. O prefeito retira dos pobres para financiar a mídia que se mantém alinhada ao que já é considerado o pior governo local dos últimos tempos. O último programa social sacrificado por Diniz é a passagem social, que já custou R$ 1 para os passageiros graças ao subsídio oficial. A partir desta segunda-feira (2) o custo será de R$ 2,75 na zona urbana.
Para os passageiros da zona rural o impacto será maior. Quem se deslocar de Santa Maria, na região Norte do Município, até o centro da cidade, por exemplo, vai desembolsar R$ 11. Em campanha, ele prometeu manter o programa e melhorar o sistema. Diante de tamanha esculachada no bolso de 300 mil usuários, Diniz tornou-se um Judas em sábado de aleluia. O desgaste é descomunal nas redes sociais e o impede de andar nas ruas.
COM OS RICOS É MAIS EMBAIXO
O prefeito também tentou avançar sobre o empresariado local com aumento de impostos. Mas este segmento reagiu afirmando que não aceitava pagar a conta da crise econômica e pelo desastre da gestão. Diniz recuou e avançou impiedosamente sobre a população de baixa renda.
Campos dos Goytacazes tornou-se um barril de pólvora, porque não se pode avaliar de que forma esta população de baixa renda reagirá no decorrer deste arrocho. Segundo informações extraoficiais, na noite deste sábado (30) o carro do prefeito foi depredado no bairro Pelinca, zona nobre da cidade. A informação, no entanto, não foi confirmada pela assessoria do governo.
Se por um lado os programas sociais são varridos do mapa, por outro lado o governo mantém parentes de vereadores e aliados políticos em cargos comissionados. Os salários são de até R$ 10.500. São ao todo 1.500 pessoas nomeadas nesses cargos com ganhos variados. Alguns contemplados vivem nas redes sociais tentando defender o governo ou atacando quem considera adversário. É a desbotada tentativa de defender o indefensável para justificar o ganho.
ALIANÇA MACABRA
Rafael Diniz paga o custo de uma aliança apelidada de Frankenstein, porque reúne o que há de mais atrasado no cenário político local, como parlamentares fisiológicos, além de figuras que atuaram no governo Rosinha, sendo cooptadas na 25ª hora. É uma relação que tende a se esgarçar, porque o lodaçal no qual o governo se meteu não permitirá satisfazer o apetite de um monstro habituado a fartura dos tempos áureos dos royalties do petróleo.
Uma simples análise do cenário global e no Plano Estratégico da Petrobras (força-motriz dos investimentos regionais na indústria do petróleo), o que se prevê para esta cidade nos próximos quatro anos é estagnação de investimentos e queda de receitas. Sobrarão promessas e faltará dinheiro. No caso dos aliados que comungam da doutrina imediatista, o amor pulsa no estômago.
Na tropa de aliados voláteis de Diniz está o impetuoso parlamentar Jorginho Virgílio, que em 2016 esteve ao lado da família Garotinho, ao mesmo tempo que apoiava Caio Vianna (candidato do PDT) e o próprio Rafael Diniz. Por esta multiplicidade de apoio é conhecido como vereador “Pomba Gira”, entidade da Umbanda notória pela capacidade de conviver simultaneamente com diferentes parceiros. Virgílio, com raríssimas exceções, é o perfil de uma bancada que acompanhará o comandante em chefe até a beira do túmulo, mas não entrará com ele na cova.
Campos dos Goytacazes vive o infortúnio de ter um governo que nasceu velho, encerrando sua temporada prematuramente diante da opinião pública. É castigado pelo próprio discurso de campanha, quando prometeu o paraíso terrestre e levou a população mais pobre para o fogo do inferno. No plano institucional, a administração sobrevive graças à boa vontade do Ministério Público e parte do judiciário local, mas também não se sabe até quando.
*Agência VIU!








