Brasil e Estados Unidos retomaram nesta quarta-feira (30) as negociações sobre as tarifas que atingem produtos brasileiros. O encontro ocorreu em Milwaukee, no estado de Wisconsin, durante a agenda da Reunião Ministerial de Comércio do G20, e reuniu o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o chanceler Mauro Vieira e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
A reunião marcou mais uma etapa do diálogo entre os dois governos, retomado após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto. No fim daquele mês, representantes dos dois países também haviam realizado uma reunião virtual para tratar das novas tarifas norte-americanas.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o encontro em Milwaukee ocorreu de forma construtiva. Os representantes dos dois governos discutiram os principais pontos da agenda comercial e manifestaram disposição para avançar na busca de soluções para os obstáculos existentes nas relações econômicas entre os países.
Estados Unidos deverão apresentar nova proposta
Como resultado da reunião, o governo norte-americano deverá encaminhar ao Brasil, nas próximas semanas, um documento com uma proposta para definir o escopo das negociações.
O material deverá incluir tanto questões relacionadas às tarifas quanto temas não tarifários. Os dois países também acertaram a criação de um Grupo de Trabalho que ficará responsável por discutir possíveis entendimentos comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
A criação do grupo representa uma nova etapa das negociações iniciadas nos últimos meses, que já envolveram reuniões entre equipes técnicas e representantes de alto nível dos dois governos.
Entenda as tarifas aplicadas pelos EUA
A disputa comercial ganhou força após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Em 15 de julho, o USTR anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Segundo o órgão norte-americano, a medida foi relacionada a questões como comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Além dessa medida, os Estados Unidos também aplicaram uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a uma investigação sobre trabalho forçado. De acordo com o MDIC, essa sobretaxa alcançou produtos brasileiros dentro de uma medida mais ampla envolvendo diversos parceiros comerciais dos Estados Unidos.
A combinação das medidas faz com que determinados produtos brasileiros estejam sujeitos a tarifas adicionais que variam conforme o setor e as regras aplicáveis a cada mercadoria.
Produtos ficaram fora da sobretaxa
O governo norte-americano também estabeleceu exceções para determinados produtos brasileiros. A lista inclui, entre outros itens, produtos agropecuários e industriais que foram retirados do alcance da sobretaxa adicional de 25%. A relação de exceções foi ampliada em relação à proposta inicialmente apresentada pelos Estados Unidos.
O tratamento tarifário, portanto, não é uniforme para todas as exportações brasileiras. A alíquota aplicada depende do produto e das diferentes medidas comerciais estabelecidas pelo governo norte-americano.
Negociações continuam
A reunião de Milwaukee não resultou, até o momento, em um acordo definitivo sobre as tarifas. O próximo passo será o envio da proposta norte-americana sobre o escopo das negociações e a formação do grupo de trabalho anunciado pelos dois países.
A Reunião Ministerial de Comércio do G20 ocorre em Milwaukee entre quarta-feira (30) e quinta-feira (1º). Já a cúpula de líderes do grupo está prevista para dezembro, em Miami.
As próximas reuniões deverão tratar tanto das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros quanto de outras questões consideradas obstáculos ao comércio bilateral. A expectativa dos governos é utilizar o novo canal de negociação para buscar um entendimento sobre os temas ainda em aberto.
*Da Agência Fonte Exclusiva








