Ex-governador reúne militância em Campos-RJ e diz que prefeito da cidade, Rafael Diniz, não gosta de pobres;
Da redação
Na primeira noite após deixar o recolhimento domiciliar imposto pela Justiça Eleitoral, em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho afirmou que o prefeito da cidade, Rafael Diniz (PPS), não gosta de pobres e nomeou uma socialite para gerenciar a secretaria de Assistência Social. “Ele deve ter confundido coluna social com assistência social”, ironizou.
A alfinetada atinge um dos principais desgastes da administração, que é o corte desenfreado de programas sociais voltados para a população de baixada renda, único alvo da política de austeridade implantado pelo prefeito que sucedeu a ex-prefeita Rosinha Garotinho em janeiro deste ano.
Garotinho participou de uma reunião com centenas de correligionários do PR, no Clube Regatas Rio Branco, na área central, e no discurso de pouco mais de uma hora concentrou artilharia na administração local, enfatizando sempre a falta de experiência do sucessor de Rosinha e as investidas contra os pobres.
Diniz foi vereador na legislatura anterior e exerceu uma oposição ferrenha contra a então prefeita Rosinha e carimbou uma frase: “o problema de Campos não é falta de dinheiro, é falta de gestão” .
“Ele nunca administrou nada. Sua única experiência de trabalho foi fazer intercâmbio na Austrália”, disse Garotinho diante de um público que reagia chamando o prefeito de “adestrador de canguru”. “É um prefeito incompetente e inexperiente”, afirmou.
Garotinho foi condenado em primeira instância na Operação Chequinho. O processo é controvertido, assim como a prisão cautelar. A decisão do juiz Ralph Manhães recebeu duras críticas do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes.

O episódio vitimizou o ex-governador e serviu como instrumento de revitalização para o seu grupo político na cidade. O reagrupamento de seu grupo político também é turbinado pela própria equipe de Rafael Diniz, que mantém ataques ao adversário por meio das redes sociais. A sistematização dos ataques também se dá por meio de blogs criados por integrantes de primeiro escalão para promover agenda negativa contra o ex-governador em pleno horário de expediente. “Chega a ser engraçado. Quem mais segue Garotinho é a própria equipe de Rafael Diniz e sua mídia alinhada, que incluir jornais locais e sites dedicados a fake news”, diz um analista local.
Garotinho também alfinetou a Operação Chequinho, que chegou a prender, além de integrantes do governo Rosinha e vereadores, beneficiários do programa social Cheque Cidadão. “Foi a operação mata pobre de fome”, disse.
ENTENDA O CASO
Em sessão plenária no dia 18, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) negou o pedido de liminar em habeas corpus em favor do ex-governador, que por decisão do juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral, foi preso cautelarmente na quarta-feira (13), enquanto apresentava o seu programa na Rádio Tupi, no Rio de Janeiro.
Depois de preso, o ex-governador foi levado por agentes da Polícia Federal para Campos dos Goytacazes, no norte-fluminense, onde mora e ficou em prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica por uma semana.
Garotinho foi condenado por corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de testemunhas e supressão de documentos. Na decisão, o juiz indicou sentença de 9 anos e 11 meses de prisão em regime fechado.
Em sessão plenária realizada nesta terça-feira (26), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou por 4 votos a 2 o relaxamento da prisão domiciliar. A Corte, na verdade, determinou a aplicação do habeas corpus concedido anteriormente durante a atuação do advogado Fernando Fernandes.
*Agência VIU!








