Em meio a um momento marcado pela perda, a decisão de uma família pode ajudar a transformar a vida de pessoas que aguardam por um transplante. Em Araruama, na Região dos Lagos, o Hospital Estadual Roberto Chabo (HERC) já realizou 17 captações de órgãos e tecidos em 2026.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (24), durante uma programação do Setembro Verde, campanha que busca ampliar a conscientização sobre a doação de órgãos. Ao longo deste ano, o hospital notificou 23 possíveis doadores ao Rio Transplantes.
Apesar dos números, a autorização dos familiares continua sendo uma etapa essencial para que a doação aconteça. As equipes responsáveis pelo processo precisam esclarecer as dúvidas e oferecer orientação aos parentes, respeitando o momento de luto e o direito da família de decidir.
Hospital atende nove municípios da região
O HERC recebe pacientes vítimas de múltiplos traumas encaminhados de nove municípios da Região dos Lagos. Por isso, a unidade também desempenha um papel importante na identificação de pessoas que podem se tornar doadoras.
Nos últimos nove anos, mais de 300 possíveis doadores foram notificados pelo hospital ao sistema de transplantes. Segundo a unidade, cerca de metade das famílias abordadas nesse período autorizou a retirada de órgãos e tecidos.
Em 2026, porém, 38% das famílias procuradas pela equipe optaram por não autorizar a doação.
Para Michele Guedes, coordenadora da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT), a abordagem precisa ser feita de maneira cuidadosa, levando em conta as condições emocionais dos familiares.
“É um direito da família decidir pela doação ou não. Temos que esclarecer todas as dúvidas e enfatizar a importância da doação, sempre com empatia e respeito”, afirmou.
Jardim homenageia famílias de doadores
Durante a programação do Setembro Verde, as famílias que autorizaram a doação também receberam uma homenagem no Jardim do Doador de Órgãos, espaço criado há três anos dentro do hospital.
O local foi desenvolvido para preservar a memória das pessoas que tiveram seus órgãos doados e representar as novas oportunidades proporcionadas pelos transplantes.
Como parte da homenagem, cada família pode plantar uma muda de jasmim no jardim. Ao longo do tempo, as plantas passaram a formar um espaço de memória dedicado aos doadores e aos familiares que autorizaram a doação.
Receptora de transplante compartilha experiência
A programação contou ainda com a participação de Cilange Carvalho, que recebeu um transplante renal em 2010. Depois de vivenciar o processo como receptora, ela passou a participar de iniciativas voltadas à conscientização sobre a doação de órgãos.
Cilange compartilha a própria história para mostrar aos familiares de possíveis doadores como a autorização pode representar uma nova chance para quem está na fila de transplantes.
“Alguém disse sim e me salvou. Hoje participo de eventos contando a minha história e pedindo às famílias que digam sim à doação”, relatou.
As atividades do Setembro Verde reforçam a necessidade de ampliar o diálogo sobre o tema e esclarecer como funciona o processo de doação. No Brasil, a autorização familiar é indispensável para que órgãos e tecidos de um possível doador sejam destinados a pacientes que aguardam por um transplante.
*Da Agência Fonte Exclusiva








