A menos de dois meses do Enem 2026, cresce também a tentativa de adivinhar qual será o tema da redação. Para quem está se preparando, porém, estudar apenas com base em apostas pode ser uma estratégia arriscada. Mais útil é acompanhar debates atuais que permitam construir repertório, argumentos e propostas de intervenção.
Entre os assuntos que aparecem com força nas análises de educadores estão inteligência artificial, inclusão e confiança na informação. Os três temas foram citados separadamente por especialistas ouvidos sobre a preparação para o exame, embora com recortes diferentes.
Inteligência artificial vai além do uso do ChatGPT
A IA pode aparecer em discussões sobre educação, mercado de trabalho, privacidade, vieses algorítmicos ou proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. É justamente essa amplitude que torna o assunto relevante para os estudos.
No Brasil, 65% dos usuários de internet entre 9 e 17 anos já utilizaram inteligência artificial generativa para alguma atividade, segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025. Só para pesquisas escolares ou estudos, o percentual chegou a 59%.
O debate também ganhou novo peso com o chamado ECA Digital, lei sancionada em 2025 para ampliar a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais e estabelecer responsabilidades para famílias, Estado, sociedade e plataformas.
Inclusão pode aparecer sob diferentes recortes
Outro campo importante é o da inclusão. O assunto não se limita à deficiência: pode envolver neurodivergência, capacitismo, desigualdades sociais e territoriais, acesso à educação e diferentes formas de aprendizagem. Na preparação para a redação, vale estudar o problema para além de conceitos genéricos e conhecer políticas públicas, direitos e barreiras concretas.
Entre os recortes mencionados pelos educadores está justamente a educação inclusiva para pessoas neurodivergentes e o atendimento a estudantes com altas habilidades, tema ainda pouco discutido quando se fala em inclusão escolar.
Desinformação ganha peso em ano eleitoral
O terceiro eixo envolve a confiança no que circula na internet. Deepfakes, conteúdos manipulados por inteligência artificial, desinformação e responsabilidade das plataformas ganharam ainda mais relevância em 2026 por causa das eleições.
Esse tipo de tema permite discutir não apenas notícias falsas, mas também alfabetização midiática, formação do senso crítico, uso responsável das tecnologias e os riscos de conteúdos cada vez mais difíceis de distinguir entre verdadeiros e artificiais.
Isso não significa que um desses assuntos estará na prova. O Inep não antecipa o tema da redação, e tentar decorar um texto para uma aposta específica pode prejudicar o candidato. A matriz do Enem cobra, entre outras habilidades, capacidade de argumentação e elaboração de propostas, o que favorece uma preparação baseada na compreensão dos problemas sociais e não apenas na memorização de repertórios.
O Enem 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro. A redação integra o primeiro dia de provas, ao lado de Linguagens e Ciências Humanas.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








