O atendimento de pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico poderá ganhar mais agilidade na rede pública de saúde.
Uma lei sancionada nesta quarta-feira (2) pelo presidente da República amplia a estratégia de disponibilização de medicamentos trombolíticos nos serviços de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida inclui estruturas como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192). A ideia é permitir que o tratamento seja iniciado mais rapidamente em situações nas quais cada minuto pode fazer diferença para a sobrevivência do paciente e para a redução de possíveis sequelas.
Os trombolíticos são medicamentos capazes de dissolver coágulos que interrompem o fluxo de sangue. No infarto, o bloqueio compromete a circulação nas artérias que levam sangue ao coração. Já no AVC isquêmico, o coágulo impede que sangue e oxigênio cheguem adequadamente a uma área do cérebro.
Rapidez no atendimento pode mudar o prognóstico
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que identificar rapidamente os sintomas e iniciar o tratamento o quanto antes são fatores decisivos nesses casos.
“Em caso de infarto, acidente vascular cerebral, tempo é vida! É o que pode reduzir o risco de óbito ou de impactos maiores físicos para aquela pessoa”, afirmou.
Em situações de infarto, por exemplo, o trombolítico pode ser uma alternativa quando a angioplastia, procedimento utilizado para desobstruir a artéria, não pode ser realizada dentro do tempo considerado adequado.
Nessas circunstâncias, o medicamento pode ser administrado enquanto o paciente é transferido ou aguarda o atendimento em uma unidade especializada.
Comitê vai acompanhar implementação
O SUS já possui protocolos que preveem a utilização de trombolíticos no atendimento de casos de infarto e AVC em determinadas situações. Atualmente, porém, a aquisição desses medicamentos é feita pelos próprios gestores locais.
Para ampliar e organizar a oferta nacional, o Ministério da Saúde criou um comitê específico para acompanhar a implementação das linhas de cuidado voltadas aos agravos cerebrovasculares e cardiovasculares que dependem de atendimento rápido.
O grupo reunirá representantes do Ministério da Saúde e de sociedades médicas especializadas. Entre as atribuições estarão a elaboração de diretrizes, a definição de estratégias para ampliar o acesso aos medicamentos e o acompanhamento das medidas adotadas nos estados e municípios.
“O Ministério da Saúde cria hoje um grupo de trabalho, junto com as sociedades de especialidades, para regulamentar, estabelecer diretrizes, implementar e acompanhar a execução em todo o Brasil. Isso é fundamental para mudar a história natural do infarto no nosso país”, explicou Padilha.
Infarto e AVC estão entre os principais desafios
O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto todos os anos. Em 2025, o SUS registrou 292 mil atendimentos relacionados a AVC, dos quais 218 mil foram classificados como AVC isquêmico.
Nas UPAs, as equipes podem realizar a avaliação inicial do paciente, confirmar a suspeita diagnóstica e verificar se existe indicação para o uso do trombolítico.
Quando a terapia é indicada, o medicamento poderá ser utilizado como parte do atendimento inicial tanto nos casos de infarto quanto de AVC isquêmico, conforme os protocolos médicos.
De acordo com Padilha, experiências acompanhadas pelo Ministério da Saúde em parceria com estados e municípios indicam que, em determinados cenários, a utilização adequada do tratamento pode estar associada a uma redução de até 50% nas mortes por infarto.
Samu poderá ampliar aplicação de trombolíticos
O atendimento móvel também faz parte da estratégia de expansão. Após a avaliação realizada pela equipe, o trombolítico poderá ser administrado por unidades do Samu 192 habilitadas para esse tipo de procedimento.
Atualmente, 102 unidades do serviço possuem habilitação para oferecer o tratamento. O Ceará concentra o maior número, com 28 unidades, seguido por Minas Gerais, com 22; Sergipe, com 16; Rio Grande do Norte, com 13; Bahia, com 12; São Paulo, com nove; e Paraíba, com duas.
Em 2025, foram registradas 861 aplicações de trombolíticos pelas equipes do Samu 192 em todo o país.
A ampliação da disponibilidade dos medicamentos busca fazer com que mais pacientes recebam o tratamento dentro da janela de tempo adequada, especialmente em situações de infarto e AVC isquêmico, nas quais o atendimento precoce pode influenciar diretamente no risco de morte e na extensão das sequelas.
*Da Agência Fonte Exclusiva








