O planeta está cada vez mais próximo de ultrapassar um dos principais limites definidos pela comunidade internacional para tentar reduzir os impactos das mudanças climáticas.
Um novo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira (2) aponta que o aquecimento médio global deve superar a marca de 1,5 °C nos próximos anos.
Diante da projeção, a entidade reforça que a velocidade das ações adotadas pelos governos será determinante para limitar os danos provocados pelo aumento das temperaturas.
Para a ONU, manter o aquecimento o mais próximo possível desse limite vai muito além de uma meta ambiental. A questão envolve diretamente a segurança, a saúde, a economia e as condições de vida de milhões de pessoas.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que preservar o limite de 1,5 °C significa, na prática, proteger a própria humanidade.
Eventos extremos já evidenciam os efeitos do aquecimento
O alerta da ONU ocorre em um cenário de intensificação dos eventos climáticos extremos em várias partes do mundo.
Ondas de calor mais prolongadas e intensas, enchentes, incêndios florestais e outros fenômenos têm provocado impactos cada vez maiores sobre populações, cidades e ecossistemas.
O relatório ressalta que mesmo pequenos aumentos adicionais na temperatura média do planeta podem ampliar os riscos. Entre as consequências estão o aumento de mortes, perdas econômicas, destruição de fontes de renda e danos ambientais que, em determinados locais, podem ser difíceis ou até impossíveis de reverter.
Quanto maior o aquecimento, maiores também tendem a ser os desafios para comunidades que já enfrentam situações de vulnerabilidade diante dos efeitos das mudanças climáticas.
ONU defende redução de combustíveis fósseis
Apesar do cenário preocupante, as Nações Unidas avaliam que ainda existem caminhos para reduzir a intensidade dos impactos futuros.
Segundo o relatório, tecnologias e recursos capazes de contribuir para a redução das emissões já existem. O desafio está principalmente em ampliar a aplicação dessas soluções e transformar compromissos climáticos em ações concretas.
A ONU aponta a necessidade de maior cooperação entre os países, decisões políticas mais firmes, estruturas de governança eficientes e aumento dos recursos destinados ao financiamento climático.
Nesse contexto, os países mais ricos são chamados a assumir uma parcela maior da responsabilidade, inclusive no apoio financeiro às nações que possuem menos recursos para enfrentar os efeitos da crise.
Entre as medidas consideradas prioritárias está a redução gradual da dependência de combustíveis fósseis, acompanhada da expansão das fontes renováveis de energia.
Redução do metano também é considerada essencial
O relatório destaca ainda a necessidade de reduzir de forma significativa as emissões de metano, gás de efeito estufa com forte impacto sobre o aquecimento global.
A combinação entre a diminuição do uso de combustíveis fósseis, a expansão das energias renováveis e o controle das emissões de metano é apontada como parte importante da estratégia para desacelerar o aumento das temperaturas.
A preservação dos ecossistemas também aparece entre as medidas defendidas pelas Nações Unidas. Florestas e oceanos, por exemplo, desempenham funções fundamentais na absorção de carbono e no equilíbrio do sistema climático.
Para a ONU, proteger esses ambientes ao mesmo tempo em que se reduzem as emissões pode ajudar a limitar os efeitos mais graves do aquecimento global.
*Da Agência Fonte Exclusiva








