As contas do setor público brasileiro fecharam julho no azul. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central, o país registrou superávit de R$ 1,4 bilhão no mês.
O resultado representa uma mudança significativa em relação a julho do ano passado, quando o setor público havia registrado déficit de R$ 66 bilhões. Foi também o primeiro resultado positivo para um mês de julho desde 2023.
A melhora foi puxada principalmente pelo governo federal, que registrou superávit de R$ 11 bilhões. Estados e municípios, por outro lado, tiveram déficit de R$ 8,5 bilhões. As empresas estatais fecharam o mês com resultado positivo de R$ 1,1 bilhão.
Apesar do número positivo, o resultado de julho ainda não muda o cenário fiscal quando se olha para um período maior.
Déficit ainda aparece no acumulado
Nos 12 meses encerrados em julho, o setor público consolidado acumulou déficit de R$ 89,3 bilhões.
Para o economista Newton Marques, o resultado mensal é uma notícia positiva, mas precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo.
Segundo ele, o acumulado em 12 meses permite avaliar melhor a trajetória das contas públicas e mostra que o país ainda enfrenta dificuldades para alcançar um equilíbrio fiscal sustentável.
Isso significa que um único mês de superávit não é suficiente para indicar uma mudança definitiva na situação das contas do governo.
Dívida pública chega a 82,5% do PIB
Enquanto as contas tiveram resultado positivo em julho, a dívida pública continuou avançando.
A dívida bruta do governo chegou a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), aproximando-se da marca de R$ 11 trilhões.
De acordo com o Banco Central, a alta foi influenciada principalmente pela incorporação dos juros e pela realização de novas operações de crédito pelo governo.
Essas operações são utilizadas para financiar despesas e outros compromissos do setor público.
Juros passam de R$ 1 trilhão em 12 meses
O custo dos juros continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as contas públicas.
Somente em julho, as despesas com juros ficaram próximas de R$ 99 bilhões. No acumulado de 12 meses, o valor ultrapassou R$ 1 trilhão.
Esse cenário ajuda a explicar por que, mesmo com um resultado positivo em julho, o quadro fiscal continua exigindo atenção.
O superávit de R$ 1,4 bilhão mostra uma melhora importante em comparação com o resultado registrado no mesmo mês do ano passado. Porém, o déficit acumulado em 12 meses, o avanço da dívida e o elevado custo dos juros ainda representam desafios para o governo.
A evolução das contas nos próximos meses será importante para saber se o resultado de julho representa apenas uma melhora pontual ou o início de uma trajetória mais consistente de recuperação fiscal.
*Da Agência Fonte Exclusiva








