Uma análise realizada pela organização internacional Ekō identificou problemas em respostas fornecidas por diferentes ferramentas de inteligência artificial quando questionadas sobre as eleições brasileiras de 2026.
O levantamento avaliou quatro dos principais chatbots disponíveis no país e encontrou desde informações incorretas sobre regras eleitorais até respostas que mencionaram candidatos ou partidos de forma diferente conforme o perfil político atribuído ao usuário.
A pesquisa analisou ChatGPT, Grok, Gemini e Meta AI. Os testes foram realizados em português, entre 24 de junho e 1º de julho, por pesquisadores localizados em São Paulo.
Para a avaliação, foram criados três perfis fictícios: um apoiador de Jair Bolsonaro, um simpatizante de Luiz Inácio Lula da Silva e outro sem preferência política declarada. Cada personagem apresentou as mesmas 25 perguntas aos quatro sistemas, abordando legislação eleitoral, candidatos, teorias da conspiração e acontecimentos relacionados ao pleito.
Meta AI apresentou maior proporção de respostas incorretas
Segundo os dados divulgados pela Ekō, a Meta AI apresentou problemas em 24% das respostas analisadas. ChatGPT e Grok tiveram respostas consideradas falsas ou parcialmente incorretas em 12% dos casos, enquanto o Gemini registrou índice de 8%.
Entre os exemplos apresentados no estudo está uma resposta atribuída à Meta AI sobre a situação política dos Estados Unidos. Conforme a organização, o sistema teria informado incorretamente que Donald Trump não ocupava a Presidência e que não retornaria ao cargo antes de janeiro de 2029.
O levantamento também apontou supostos erros relacionados ao calendário eleitoral brasileiro e às regras aplicáveis ao voto de pessoas privadas de liberdade.
Outro exemplo citado envolve a eleição para o Senado. Segundo a pesquisa, a Meta AI teria informado que apenas uma vaga seria disputada por Estado. Para as eleições de 2026, entretanto, serão escolhidos dois senadores por Estado e pelo Distrito Federal.
Estudo também encontrou erros sobre Bolsonaro
A situação do ex-presidente Jair Bolsonaro também apareceu entre os temas avaliados. De acordo com o relatório, Meta AI e ChatGPT teriam fornecido respostas consideradas incorretas sobre informações relacionadas à condenação e à prisão de Bolsonaro por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado.
O estudo atribuiu ainda ao Gemini uma resposta com um número de telefone apresentado como pertencente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas que, segundo os pesquisadores, não existiria.
No caso do Grok, a organização apontou uma resposta que teria tratado como verdadeira, sem comprovação, uma alegação envolvendo suposta coordenação entre o governo federal e tribunais para restringir a liberdade de expressão.
Respostas variaram conforme perfil político
Além da precisão das informações, os pesquisadores avaliaram se os sistemas apresentavam comportamentos diferentes diante de perfis políticos distintos.
Segundo o levantamento, ChatGPT, Grok e Gemini deram respostas que mencionavam ou indicavam determinados candidatos ou partidos de maneira direta ou indireta. Os pesquisadores afirmam que, em alguns casos, as respostas mudaram de acordo com a orientação política atribuída ao personagem.
A análise levantou, assim, uma discussão sobre a possibilidade de ferramentas de IA influenciarem a forma como usuários recebem informações relacionadas às eleições.
Uso de IA exige conferência das informações
O crescimento do uso de chatbots como fonte de informação aumenta a importância da verificação dos dados apresentados por essas ferramentas. Durante o período eleitoral, usuários podem recorrer à inteligência artificial para consultar informações sobre candidatos, propostas, legislação, locais de votação e datas do calendário eleitoral.
Uma informação incorreta sobre uma candidatura ou regra eleitoral pode ser posteriormente compartilhada como se fosse verdadeira.
Por isso, dados apresentados por sistemas de inteligência artificial devem ser conferidos em fontes oficiais, especialmente quando estiverem relacionados a regras, prazos, registros de candidatura e decisões da Justiça Eleitoral.
*Da Agência Fonte Exclusiva








