Pesquisadores identificaram novamente, na natureza, espécies de plantas que não eram observadas havia décadas no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. Os registros ocorreram durante um projeto dedicado ao monitoramento e à conservação da flora rara e exclusiva da região.
Entre as plantas encontradas estão a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, espécies conhecidas como sempre-vivas ou chuveirinhos. Ambas são endêmicas das serras mineiras e possuem adaptações às características dos ambientes com solos ricos em ferro encontrados no Quadrilátero Ferrífero.
Plantas voltaram a ser encontradas após décadas
O levantamento surpreendeu os pesquisadores porque algumas das espécies monitoradas não eram registradas na natureza havia muitas décadas. Em determinados casos, a ausência de novos registros levou especialistas a considerar a possibilidade de extinção local ou até mesmo desaparecimento na natureza.
A Paepalanthus magalhaesii foi encontrada em áreas protegidas de Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca, situadas nos municípios de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto.
De pequeno porte, a planta se desenvolve próxima ao solo e entre formações rochosas, ambientes característicos das serras da região.
Outra descoberta relevante foi a Coracoralina amoena, considerada uma das espécies mais raras identificadas durante o trabalho. A planta ocorre em locais rochosos, com pouca quantidade de solo, forte incidência de luz solar e períodos de baixa disponibilidade de água.
A espécie já havia sido classificada em pesquisas anteriores como possivelmente extinta na natureza.
Descobertas ajudam a proteger a flora mineira
Por terem distribuição natural restrita ao Quadrilátero Ferrífero, essas plantas são consideradas endêmicas. Isso significa que a conservação de seus habitats é essencial para evitar que desapareçam definitivamente.
Segundo os pesquisadores, algumas dessas espécies apresentam características que permitem suportar condições ambientais extremas, como temperaturas elevadas e períodos prolongados de estresse hídrico. Essas adaptações também podem despertar interesse em pesquisas relacionadas à conservação e à biotecnologia.
Os novos registros demonstram ainda que áreas consideradas pouco exploradas podem guardar espécies que passaram longos períodos sem ser observadas. Para os especialistas, ampliar as pesquisas de campo é fundamental para compreender melhor a diversidade vegetal brasileira.
Material será estudado em laboratório
Depois das expedições, amostras das plantas foram encaminhadas para laboratórios associados à Rede Propagar. Os pesquisadores deverão realizar análises genéticas e investigar métodos de reprodução das espécies.
Uma das metas é desenvolver técnicas capazes de produzir mudas em laboratório. No futuro, esses exemplares poderão ser utilizados em projetos de reintrodução das plantas em seus habitats naturais.
Parte do material coletado também deverá integrar coleções científicas de referência, permitindo que as espécies sejam estudadas por outros pesquisadores.
Conservação enfrenta desafios
A reprodução controlada pode ser uma ferramenta importante para aumentar o número de exemplares e reduzir o risco de desaparecimento dessas plantas. O trabalho também pode contribuir para a recuperação de áreas onde as populações naturais foram reduzidas.
A iniciativa ganha importância diante das pressões provocadas pela ocupação humana, pela transformação dos habitats e pelas mudanças climáticas. Para os pesquisadores, preservar espécies endêmicas significa também proteger os ecossistemas únicos do Quadrilátero Ferrífero.
*Da Agência Fonte Exclusiva








