A declaração de Donald Trump de que pretende transformar o Estreito de Ormuz em “território dos Estados Unidos” elevou novamente a tensão entre Washington e Teerã em torno de uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
O presidente americano fez a afirmação na sexta-feira (14), durante um comício republicano em Garden City, no estado de Nova York. Ao falar sobre a guerra com o Irã, disse que pretende anunciar “em breve” uma reivindicação americana sobre o estreito e voltou a sustentar que os Estados Unidos controlam a passagem.
A fala, porém, não modifica a situação jurídica da região. O Estreito de Ormuz fica entre Irã e Omã e é utilizado para navegação internacional. Trump não explicou de que forma os Estados Unidos poderiam reivindicar soberania sobre a área, e uma declaração unilateral não seria suficiente para alterar as fronteiras reconhecidas internacionalmente.
Teerã rejeitou as afirmações do presidente americano e mantém que o estreito permanece bloqueado enquanto suas exigências não forem atendidas. Entre elas estão a retirada de sanções econômicas e a liberação de ativos iranianos congelados no exterior.
A disputa ganhou importância ainda maior desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O movimento de embarcações pela região caiu fortemente, afetando uma rota que, antes do conflito, concentrava cerca de um quinto do transporte mundial de petróleo e derivados e parcela semelhante do comércio internacional de gás natural liquefeito.
Com menos navios atravessando Ormuz, o impacto chegou ao mercado de energia. O fluxo de petróleo pela passagem despencou em relação aos níveis anteriores à guerra, contribuindo para a pressão sobre os preços internacionais e para o encarecimento dos combustíveis nos Estados Unidos.
Durante o mesmo comício, Trump pediu aos americanos que aceitassem pagar mais pela gasolina enquanto durar o conflito. Segundo ele, o aumento seria parte do custo necessário para impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear.
A alta dos combustíveis já se tornou uma preocupação política para o governo americano, especialmente às vésperas das eleições legislativas de novembro. Integrantes da administração Trump vêm reconhecendo publicamente o peso que o preço da energia pode ter sobre o eleitorado.
Ao mesmo tempo, as tentativas de negociação entre Estados Unidos e Irã permanecem sem avanço decisivo. Os dois países chegaram a discutir propostas para restabelecer a circulação marítima, mas seguem divergindo sobre as condições para a reabertura do estreito.
Por enquanto, portanto, a afirmação de Trump sobre transformar Ormuz em território americano deve ser entendida como uma declaração política em meio ao conflito. Não houve mudança reconhecida no status territorial da região, e o futuro da navegação continua condicionado à disputa militar e diplomática entre Washington e Teerã.
*Da Agência Fonte Exclusiva








