A ocorrência do El Niño pode provocar consequências que vão além das alterações no clima e atingir o mercado de trabalho em diferentes países da América Latina.
Um levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que trabalhadores informais, rurais e profissionais que exercem suas atividades ao ar livre estão entre os mais suscetíveis aos efeitos provocados pelo fenômeno.
No Brasil, os impactos podem variar significativamente entre as regiões. No Sul, a possibilidade de chuvas acima dos níveis habituais aumenta o risco de enchentes, com potenciais consequências para áreas agrícolas e estruturas utilizadas no transporte.
A combinação de condições climáticas adversas e temperaturas elevadas pode atingir especialmente trabalhadores rurais e profissionais da construção civil, que frequentemente desempenham suas funções em ambientes externos.
No Nordeste, o cenário previsto é diferente. A região pode enfrentar períodos de estiagem acompanhados por temperaturas elevadas. Uma eventual redução na produção agrícola pode afetar a oferta de empregos no campo, enquanto o calor intenso representa um risco adicional para trabalhadores envolvidos no combate a incêndios florestais.
Calor aumenta riscos para trabalhadores
A OIT destaca que o Brasil já conta com normas destinadas a proteger trabalhadores expostos a temperaturas excessivamente altas. O problema, segundo o estudo, está na dificuldade de garantir que essas medidas sejam efetivamente aplicadas, sobretudo em um mercado de trabalho marcado por altos índices de informalidade.
Entre as estratégias recomendadas está a adaptação dos horários de trabalho de acordo com as condições climáticas. Outra medida importante é garantir acesso a água, espaços adequados para descanso e condições que permitam reduzir o período de exposição ao calor.
As precauções são especialmente relevantes para trabalhadores que permanecem durante várias horas sob o sol ou em ambientes com temperaturas elevadas.
Impactos ultrapassam as fronteiras brasileiras
Os efeitos associados ao El Niño também podem atingir atividades econômicas em outros países da região.
A redução do nível de água no Canal do Panamá, por exemplo, pode afetar o transporte marítimo internacional, já que a rota representa uma importante ligação para o comércio entre diferentes mercados.
No Peru, o setor pesqueiro aparece entre as atividades consideradas mais vulneráveis. O levantamento estima que dezenas de milhares de empregos possam ser afetados pelas condições provocadas pelo fenômeno.
Em Colômbia, Equador, Venezuela e Bolívia, outro risco está relacionado à disponibilidade de água para a produção de energia. Uma redução nos recursos hídricos pode prejudicar a geração hidrelétrica e, consequentemente, atingir atividades industriais que dependem do fornecimento de eletricidade.
Fenômeno pode pressionar emprego e renda
A análise da OIT mostra que as consequências do El Niño não estão restritas às mudanças no volume de chuvas ou à elevação das temperaturas. Os efeitos climáticos podem provocar impactos econômicos e sociais em diferentes setores.
Agricultura, pesca, construção civil, transporte e indústria estão entre as atividades que podem sofrer consequências dependendo da intensidade e da distribuição dos eventos climáticos.
Para os trabalhadores, os riscos envolvem desde maior exposição a condições perigosas até redução de oportunidades de emprego e renda.
A situação reforça a necessidade de medidas de prevenção e adaptação capazes de proteger profissionais mais vulneráveis diante de períodos de calor extremo, chuvas intensas ou escassez de água.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








