O consumo elevado de açúcar pode intensificar em pouco tempo a inflamação associada à asma, antes mesmo que apareçam alterações significativas no peso corporal. A conclusão vem de um estudo experimental realizado com camundongos por pesquisadores brasileiros e publicado na revista científica Nutrients.
Durante duas semanas, animais submetidos a um modelo de asma tiveram acesso a uma alimentação rica em açúcar. Ao final do período, apresentaram uma resposta inflamatória pulmonar mais intensa do que aqueles que mantiveram a dieta habitual.
O efeito, segundo os pesquisadores, não começou diretamente nos pulmões. A alimentação rica em açúcar provocou alterações no tecido adiposo visceral, localizado na região abdominal, aumentando a produção de substâncias inflamatórias capazes de circular pelo organismo e agravar a resposta já existente nas vias respiratórias.
Também foi observado aumento de células relacionadas à inflamação nos pulmões, além de maior produção de muco. O fenômeno ocorreu principalmente nos animais que já apresentavam predisposição à resposta alérgica.
Um dos pontos importantes do trabalho é justamente essa diferença: o consumo elevado de açúcar não fez com que animais saudáveis desenvolvessem asma. O que os resultados sugerem é que uma alimentação desse tipo pode funcionar como um fator de agravamento quando o processo inflamatório já está presente.
A descoberta ajuda a ampliar a compreensão sobre a relação entre alimentação, metabolismo e doenças respiratórias. Até agora, obesidade e asma já eram frequentemente associadas em estudos, mas o novo trabalho indica que alterações provocadas pela dieta podem surgir antes mesmo do ganho expressivo de peso.
Isso não significa, porém, que pessoas com asma devam retirar completamente o açúcar da alimentação ou substituir o tratamento médico por mudanças na dieta. Como o experimento foi realizado em animais, ainda são necessários estudos com seres humanos para confirmar se o mesmo mecanismo ocorre e qual seria a relevância do consumo alimentar no controle da doença.
A pesquisa reforça, no entanto, uma orientação já adotada na saúde pública: evitar o consumo excessivo de açúcares livres e de alimentos ultraprocessados. Além dos efeitos conhecidos sobre o metabolismo, os resultados levantam a possibilidade de que a alimentação também tenha influência mais rápida sobre processos inflamatórios do que se imaginava.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








