O primeiro semestre de 2026 foi marcado por milhares de vítimas da violência armada nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém. Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Fogo Cruzado registrou 2.511 tiroteios entre janeiro e junho, com 2.403 pessoas baleadas.
Do total de vítimas, 1.628 morreram e outras 775 ficaram feridas. O estudo também revelou que a participação de agentes de segurança esteve presente em quase 40% dos tiroteios registrados, percentual considerado o maior desde o início da série histórica da organização.
Os números mostram que a dinâmica da violência não pode ser medida apenas pela quantidade total de disparos. Mesmo em locais onde houve redução no número de tiroteios, determinados tipos de confronto registraram aumento no número de vítimas.
Confrontos entre grupos criminosos aumentam
As disputas envolvendo facções criminosas e milícias provocaram mais vítimas no primeiro semestre deste ano. Segundo o levantamento, 203 pessoas foram baleadas nesse tipo de confronto entre janeiro e junho.
No mesmo período de 2025, haviam sido registradas 181 vítimas. A comparação representa um crescimento de aproximadamente 12%.
De acordo com Eryck Batalha, coordenador do Instituto Fogo Cruzado, os episódios relacionados às disputas entre grupos armados apresentaram crescimento nas quatro regiões metropolitanas monitoradas pela organização.
Também houve aumento das vítimas atingidas durante assaltos e tentativas de roubo. Foram 260 pessoas baleadas nessas circunstâncias no primeiro semestre, alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Rio de Janeiro registra forte presença policial
Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a participação de policiais foi identificada em quase metade dos tiroteios registrados durante os primeiros seis meses do ano.
Segundo o levantamento, o percentual é o maior já registrado pelo Instituto Fogo Cruzado no estado desde o início da série histórica, em 2017.
Ao mesmo tempo, os confrontos entre grupos criminosos alcançaram o maior número de vítimas já identificado pela organização no território fluminense.
Os dados indicam que uma eventual redução no número geral de tiroteios não necessariamente representa uma diminuição proporcional dos impactos provocados pela violência armada.
Recife tem recorde de operações policiais
Na Região Metropolitana do Recife, o levantamento identificou uma redução da violência armada em relação a períodos anteriores. Apesar disso, a participação policial nos tiroteios alcançou um patamar recorde.
Foram contabilizadas 60 ocorrências com presença de agentes de segurança, correspondendo a 9% de todos os tiroteios registrados na região durante o primeiro semestre de 2026.
Salvador concentra maioria dos confrontos com policiais
Em Salvador e na região metropolitana, a presença policial foi ainda mais expressiva. Mais da metade dos tiroteios mapeados contou com participação das forças de segurança.
O percentual chegou a 56% das ocorrências registradas no período, colocando a região entre aquelas com maior participação policial nos confrontos analisados pelo instituto.
Belém registra aumento de vítimas dentro de casa
Na Região Metropolitana de Belém, um dos principais alertas do levantamento está relacionado à violência dentro das residências.
O número de pessoas baleadas dentro de suas próprias casas cresceu 90% em comparação com o primeiro semestre de 2025. Com isso, a quantidade de vítimas atingidas em residências chegou ao maior patamar já registrado pela série histórica do Instituto Fogo Cruzado.
Violência mantém cenário de alerta
Os dados reunidos pelo instituto mostram que a violência armada apresenta características diferentes em cada região monitorada. Enquanto algumas áreas registraram redução na quantidade total de tiroteios, confrontos entre grupos criminosos, operações policiais, roubos e episódios dentro de residências contribuíram para manter elevado o número de vítimas.
O levantamento também chama atenção para a participação das forças de segurança. A presença policial em quase 40% dos tiroteios representa o maior percentual identificado desde o início da série histórica do Instituto Fogo Cruzado.
O cenário evidencia a complexidade da violência armada nas quatro regiões metropolitanas analisadas e reforça a necessidade de acompanhar não apenas a quantidade de tiroteios, mas também as circunstâncias em que os disparos ocorrem e o impacto sobre a população.
*Da Agência Fonte Exclusiva








