Quando a nave sobrevoou o estádio durante a estreia da turnê “O Último Voo da Nave”, neste sábado (25), em São Paulo, ficou claro que o espetáculo de Xuxa Meneghel não é apenas um show.
É um encontro entre passado e presente, entre uma artista que marcou a história do entretenimento brasileiro e milhões de pessoas que cresceram acreditando que, todos os dias, uma nave espacial poderia pousar na televisão de suas casas.
Com ingressos esgotados, a apresentação confirmou aquilo que muitos ainda insistem em questionar: Xuxa continua sendo um dos maiores fenômenos da cultura pop brasileira.
E não porque esteja lançando músicas inéditas, comandando um programa diário ou buscando recuperar espaço na mídia. Aos 63 anos, ela sobe ao palco para celebrar um legado que permanece vivo na memória afetiva de gerações.
Para quem nasceu na era das redes sociais, talvez seja difícil compreender a dimensão do impacto que Xuxa teve entre os anos 1980 e 1990. Antes da internet, ela já era um fenômeno de alcance nacional. Sua imagem ocupava televisão, revistas, discos, filmes, brinquedos, campanhas publicitárias e produtos licenciados, tornando-se praticamente onipresente na vida das famílias brasileiras.
“Bem-vindos ao Planeta Xuxa!” 🚀
A Rainha dos Baixinhos reviveu um dos maiores sucessos da carreira durante “O Último Voo da Nave”, neste sábado (25), em São Paulo, e levou o público direto aos anos 90.
Que show da Xuxa é esse!
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— PortalVIU! (@Portal_VIU) July 26, 2026
Na música, os números impressionam até hoje. O álbum “Xou da Xuxa”, lançado em 1986, ultrapassou a marca de 2,5 milhões de cópias vendidas, consolidando um repertório que atravessou décadas. Mesmo sem se considerar cantora, ela transformou canções infantis em verdadeiros clássicos que continuam sendo cantados por adultos e crianças.
Mas a importância de Xuxa vai além dos recordes. Em seus programas, ensinou o alfabeto, incentivou o cuidado com o meio ambiente, falou sobre amizade, respeito, proteção aos animais e valorização da infância. Também foi uma das primeiras personalidades da televisão brasileira a defender, de forma aberta, temas como inclusão, os perigos das drogas e da violência, acessibilidade e vacinação, aprendendo Libras e dando visibilidade às pessoas com deficiência.
Em uma época marcada por preconceitos ainda mais evidentes do que os atuais, utilizou sua enorme influência para transmitir mensagens de respeito às diferenças e de liberdade para que cada pessoa pudesse ser quem realmente é. Não por acaso, tornou-se um símbolo de acolhimento para a comunidade LGBTQIA+ e uma referência para milhões de brasileiros.
É justamente esse conjunto de lembranças que explica o sucesso da nova turnê. O público que hoje lota estádios não está apenas comprando um ingresso para ouvir músicas da infância. Está realizando um sonho que, para muitos, parecia impossível quando eram crianças.
Ver milhares de adultos cantando “Ilariê”, “Lua de Cristal” ou “Doce Mel” pode parecer estranho para quem observa apenas o repertório. Mas o que emociona não são apenas as músicas. É a oportunidade de revisitar uma fase da vida marcada pela fantasia, pela esperança e pela sensação de que tudo era possível.
Por isso, “O Último Voo da Nave” não deve ser entendido como uma despedida de Xuxa dos palcos. A própria artista já explicou que quem se aposenta é a nave — um dos maiores símbolos de sua trajetória. Ela permanece ativa, enquanto encerra, de forma simbólica, um capítulo que ajudou a construir a televisão brasileira.
Poucos artistas conseguem atravessar quatro décadas mantendo relevância emocional. Menos ainda conseguem reunir diferentes gerações em um mesmo espetáculo. Xuxa alcançou esse feito porque seu legado não está apenas nas músicas, nos discos ou nos programas de televisão. Está nas memórias que ajudou a construir.
Quando a nave cruzou o céu do estádio em São Paulo, o público não viu apenas um efeito especial. Viu uma parte da própria infância ganhar vida novamente. E isso explica por que, mesmo tantos anos depois, a Rainha dos Baixinhos continua fazendo história.
Porque alguns artistas fazem sucesso. Outros se transformam em memória coletiva. Xuxa pertence ao segundo grupo.








