A resistência aos antibióticos continua sendo uma das maiores preocupações da saúde pública mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o avanço desse problema pode levar a até 10 milhões de mortes por ano até 2050 caso não sejam desenvolvidas novas estratégias de combate às bactérias resistentes.
Diante desse cenário, pesquisadores da Universidade Skoltech, na Rússia, criaram uma ferramenta capaz de acelerar a identificação de novos compostos com potencial para se tornarem antibióticos mais eficientes.
O sistema desenvolvido pelos cientistas analisa moléculas capazes de interferir na produção de RNA em bactérias Gram-negativas, grupo que inclui a Pseudomonas aeruginosa, uma das principais causadoras de infecções hospitalares e conhecida pela capacidade de resistir a diferentes medicamentos.
Avanço no combate à resistência antimicrobiana
A resistência antimicrobiana ocorre quando microrganismos sofrem alterações que reduzem ou eliminam a eficácia dos medicamentos utilizados para combatê-los. Esse processo dificulta tratamentos, aumenta o tempo de internação e pode elevar o risco de complicações e mortes.
Dados da OMS apontam que a resistência aos antibióticos esteve relacionada a mais de 4,7 milhões de mortes em 2021. Além disso, estimativas de 2023 indicam que cerca de uma em cada seis infecções bacterianas identificadas em laboratório já apresentava resistência aos tratamentos disponíveis.
Para Dmitry Lukyanov, diretor científico da pesquisa, uma das principais formas de enfrentar o problema é ampliar a descoberta de novas substâncias capazes de combater microrganismos que já não respondem aos medicamentos tradicionais.
Segundo o pesquisador, compreender como cada composto atua dentro da bactéria é fundamental para desenvolver terapias mais eficazes e antecipar possíveis mecanismos de resistência.
Tecnologia reduz etapas no desenvolvimento de medicamentos
O diferencial da ferramenta criada pela Skoltech está na capacidade de identificar não apenas quais moléculas possuem potencial contra bactérias, mas também como elas funcionam no organismo do microrganismo.
Essa análise permite que os pesquisadores tenham informações mais detalhadas sobre a ação dos compostos, reduzindo etapas do processo de desenvolvimento de novos antibióticos e facilitando a escolha dos candidatos mais promissores.
A tecnologia pode representar um avanço importante em uma área considerada estratégica pela comunidade científica, já que a descoberta de novos antibióticos tem enfrentado dificuldades nas últimas décadas devido à complexidade do processo e ao aumento da resistência bacteriana.
Desafio para a medicina nas próximas décadas
Especialistas avaliam que o desenvolvimento de novas ferramentas de pesquisa será essencial para evitar uma crise global causada pela perda de eficácia dos antibióticos existentes.
Com o crescimento das infecções resistentes, soluções que combinem inteligência artificial, análise de dados e biotecnologia podem acelerar a criação de medicamentos capazes de enfrentar bactérias consideradas cada vez mais difíceis de tratar.
*Da Agência Fonte Exclusiva








