Promessas de salários altos, empregos no exterior e uma suposta oportunidade de mudar de vida estão entre as principais estratégias utilizadas por grupos criminosos para atrair vítimas de tráfico de pessoas.
Com o avanço das redes sociais e o uso de ferramentas de inteligência artificial, os aliciadores passaram a adotar novas formas de abordagem para conquistar a confiança das vítimas.
De acordo com o Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas, produzido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), houve um aumento de 33% no número de brasileiros identificados como vítimas desse crime no último ano.
As plataformas digitais se tornaram um dos principais meios utilizados pelos criminosos. Perfis falsos, anúncios de vagas inexistentes e propostas aparentemente vantajosas são usados para criar uma relação de confiança antes de levar as vítimas a situações de exploração, violência e violação de direitos.
Campanha alerta para riscos na internet
Para ampliar a conscientização sobre o problema, o Ministério Público Federal (MPF) realiza durante julho uma campanha nacional de prevenção ao tráfico de pessoas. A iniciativa é coordenada pela Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes.
A campanha reúne materiais educativos divulgados em diferentes meios de comunicação, incluindo redes sociais, rádio, televisão e plataformas digitais, com orientações para identificar possíveis golpes e incentivar denúncias.
A coordenadora da unidade, Stella Scampini, recomenda atenção redobrada diante de propostas recebidas pela internet, principalmente aquelas que envolvem viagens internacionais ou oportunidades profissionais fora do Brasil.
Segundo ela, antes de aceitar qualquer oferta, é importante verificar a existência da empresa responsável, pesquisar informações sobre o destino e compartilhar detalhes da viagem com pessoas de confiança.
Também é recomendado buscar antecipadamente informações sobre serviços de emergência e sobre a localização de representações consulares brasileiras no país de destino.
Jovens estão entre os principais alvos
Uma das situações que mais preocupa autoridades envolve o recrutamento de jovens brasileiros para supostos trabalhos em países do Sudeste Asiático. Conforme o relatório, o Camboja apareceu como principal destino identificado entre as vítimas brasileiras no último ano, concentrando 52% dos registros.
Em muitos casos, as vítimas acreditam estar viajando para ocupar vagas legítimas, mas acabam submetidas a exploração, retenção de documentos, restrição de liberdade e outras formas de abuso.
As denúncias de tráfico de pessoas podem ser feitas por meio da plataforma MPF Serviços, pelo Disque 100 ou pelo Ligue 180. Brasileiros que estiverem fora do país também podem procurar o consulado brasileiro da região onde se encontram.
A legislação brasileira prevê pena de quatro a oito anos de prisão para quem pratica tráfico de pessoas. A punição pode ser ampliada quando o crime envolve o transporte ou deslocamento da vítima para outro país.
*Da Agência Fonte Exclusiva








