O frágil intervalo diplomático entre Teerã e Washington deu lugar a uma nova sequência de ataques, ameaças e acusações. Diante do agravamento do conflito, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, responsabilizou os Estados Unidos pelo colapso do entendimento firmado em junho e pediu que a população preserve a unidade interna do país.
Em comunicado divulgado neste sábado (18), Khamenei afirmou que as recentes ações militares demonstram, na avaliação do governo iraniano, que os compromissos assumidos por Washington não são confiáveis. O dirigente retomou a expressão “Grande Satã”, tradicionalmente empregada pela República Islâmica em referências ao governo norte-americano.
A mensagem foi apresentada após sete noites consecutivas de operações dos Estados Unidos contra alvos iranianos. Segundo o Comando Central norte-americano, as ofensivas atingiram estruturas militares, sistemas de vigilância, depósitos de armamentos e capacidades marítimas utilizadas por Teerã.
Em resposta, forças iranianas lançaram mísseis e drones contra instalações militares e estruturas associadas aos Estados Unidos em diferentes países do Oriente Médio. Ataques foram registrados ou reivindicados contra alvos no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia, ampliando o alcance regional do confronto. Parte das informações divulgadas pelas forças iranianas ainda não foi confirmada de forma independente.
O memorando firmado entre Estados Unidos e Irã previa medidas para reduzir as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e criar um período de negociação sobre questões mais complexas, incluindo o programa nuclear iraniano. O documento estabeleceu uma etapa inicial de 60 dias para o avanço das conversações.
Mojtaba Khamenei autorizou o entendimento em junho, apesar de demonstrar desconfiança em relação às intenções dos Estados Unidos. Na ocasião, o dirigente afirmou que a aprovação das negociações não representava concordância integral com Washington.
O acordo começou a perder força diante das divergências sobre a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, a flexibilização de sanções, a movimentação de recursos iranianos bloqueados e a manutenção das operações militares na região.
Os dois governos passaram a acusar o adversário de descumprir as condições estabelecidas. O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo havia terminado, enquanto Teerã voltou a impor restrições à navegação no estreito.
Com a retomada dos bombardeios, o governo iraniano suspendeu o cumprimento das obrigações assumidas no memorando. Até o momento, não há previsão pública para uma nova rodada de negociações.
No pronunciamento, Khamenei alertou que os Estados Unidos poderão enfrentar consequências políticas e militares maiores caso mantenham a campanha contra o território iraniano.
O dirigente afirmou que as forças do país e os integrantes da chamada Frente de Resistência permanecem preparados para reagir. A denominação é usada por Teerã para identificar organizações aliadas da República Islâmica em diferentes partes do Oriente Médio.
Apesar da ameaça, o líder iraniano não revelou quais operações poderão ser realizadas nem indicou possíveis alvos. A Guarda Revolucionária também advertiu que instalações norte-americanas em países vizinhos poderão ser atingidas durante novas ações de retaliação.
Os Estados Unidos sustentam que os ataques buscam diminuir a capacidade militar iraniana e assegurar a circulação internacional pelo Estreito de Ormuz. O governo do Irã, por outro lado, afirma que suas operações representam uma resposta à ofensiva norte-americana.
Khamenei também utilizou o comunicado para tentar conter possíveis divisões políticas dentro do Irã. Ele defendeu que autoridades, instituições, forças militares e cidadãos evitem disputas capazes de enfraquecer o país durante o conflito.
O apelo ocorre em um momento de pressão militar, danos à infraestrutura e dificuldades econômicas. A negociação com os Estados Unidos também provocou divergências entre integrantes do sistema político iraniano.
Setores mais conservadores rejeitavam qualquer aproximação com Washington. Outros grupos defendiam o memorando como uma possibilidade de suspender os ataques e reduzir os impactos da guerra sobre a população e a economia.
Ao responsabilizar os Estados Unidos pela ruptura, Khamenei procura reforçar a avaliação de que suas reservas estavam justificadas e evitar que o fracasso do entendimento aumente as disputas dentro do governo.
A nova fase da guerra alcançou instalações militares e estruturas utilizadas pela população civil. Ataques norte-americanos provocaram danos em sistemas elétricos, unidades de dessalinização, pontes e outros pontos de infraestrutura no sul do Irã, segundo informações divulgadas pelas autoridades iranianas.
No Kuwait, mísseis e drones atingiram uma unidade de produção de água, uma instalação petrolífera e áreas militares. Os ataques provocaram feridos e interrupções temporárias em serviços e operações aeroportuárias.
O avanço das ofensivas sobre sistemas de energia, abastecimento e transporte aumentou o temor de que a guerra provoque uma crise humanitária e envolva diretamente novos países.
A instabilidade também pressiona os mercados internacionais. O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do mundo, e qualquer interrupção prolongada pode provocar impactos sobre os preços da energia e o abastecimento global.
O novo posicionamento de Mojtaba Khamenei reduz as expectativas de uma solução diplomática imediata. O governo iraniano sinaliza que pretende manter a mobilização interna e continuar respondendo militarmente enquanto persistirem os ataques norte-americanos.
Washington e Teerã permanecem sem uma nova agenda pública de negociações. A ausência de mediação e o aumento das ações contra instalações em diferentes países ampliam o risco de uma guerra regional mais extensa.
A continuidade do confronto poderá afetar a aviação, o transporte marítimo, o fornecimento de energia e a segurança de países que abrigam tropas ou bases militares dos Estados Unidos.
*Da Agência Fonte Exclusiva








