Um voo militar colombiano encerrou nesta quinta-feira (16) o período de aproximadamente um mês em que o ativista Franklin Humberto Coral Garrido, conhecido como Beto Coral, permaneceu sob custódia migratória nos Estados Unidos.
Ele desembarcou em Bogotá acompanhado por outros cidadãos deportados e foi recebido por representantes do governo da Colômbia.
A aeronave da Força Aeroespacial Colombiana transportou 73 pessoas, segundo comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores. O grupo era formado por 16 mulheres adultas, 46 homens e 11 menores de idade.
As autoridades colombianas mobilizaram equipes para identificar os passageiros, verificar suas condições e prestar atendimento aos integrantes do voo. Protocolos adicionais de proteção foram adotados para Coral devido à repercussão política de sua detenção.
De acordo com a Chancelaria, o ativista retornou em liberdade e com garantias voltadas à preservação de seus direitos e de sua integridade física. A situação jurídica e pessoal de Coral vinha sendo acompanhada pelo governo colombiano desde sua prisão, em 16 de junho.
Detenção ocorreu no Arizona
Beto Coral foi abordado por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos, o ICE, no estado do Arizona.
O Departamento de Segurança Nacional norte-americano declarou que o colombiano teria permanecido no país depois do vencimento do visto. Coral contesta essa versão e afirma que entrou legalmente nos Estados Unidos em 2015, apresentou um pedido de asilo e aguardava uma decisão sobre o processo.
Após desembarcar em Bogotá, o ativista informou que desistiu de buscar asilo político nos Estados Unidos. Ele evitou comentar detalhes da custódia e afirmou que pretende priorizar a saída de familiares que ainda estão em território norte-americano.
Coral também declarou que continuará desenvolvendo atividades políticas e divulgando denúncias. Segundo ele, sua passagem pelo sistema migratório não interromperá sua atuação pública.
Caso provocou reação de Gustavo Petro
A prisão ganhou dimensão política porque Coral é um apoiador declarado do presidente colombiano Gustavo Petro e um crítico de setores da direita do país.
Antes da detenção, ele havia promovido manifestações e divulgado críticas contra Abelardo de la Espriella, que disputava a Presidência da Colômbia naquele período e posteriormente foi eleito.
Petro classificou o episódio como uma perseguição política e cobrou explicações e garantias para o ativista. O presidente também associou a detenção às manifestações de Coral contra De la Espriella.
O governo norte-americano, por outro lado, apresentou o caso como uma medida relacionada à situação migratória do colombiano.
Memorando atribuído a Marco Rubio
A controvérsia aumentou após a divulgação de informações sobre um memorando assinado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Segundo reportagem publicada pelo jornal El País com base em documento obtido pelo The New York Times, Rubio considerou que as atividades políticas realizadas por Coral em território norte-americano poderiam contrariar interesses dos Estados Unidos na Colômbia.
O texto teria mencionado campanhas políticas, manifestações públicas e medidas judiciais promovidas pelo ativista contra integrantes da política colombiana.
Coral negou ter cometido crimes e sustentou que sua atuação estava amparada pelo direito à liberdade de expressão. Ele também afirmou que nunca trabalhou como representante do governo colombiano.
Aliados de Petro interpretaram o episódio como uma tentativa de restringir a atuação política de um estrangeiro. Já as autoridades dos Estados Unidos mantiveram o entendimento de que havia irregularidades em sua permanência no país.
Política de assistência aos repatriados
O voo que trouxe Beto Coral faz parte das operações realizadas pelo governo colombiano para acompanhar o retorno de cidadãos retirados de outros países.
A Chancelaria informou que 16.988 colombianos retornaram ao país em 187 voos acompanhados durante a atual administração. Desse total, 142 operações partiram dos Estados Unidos e transportaram 13.907 pessoas.
A Força Aeroespacial Colombiana realizou 77 desses deslocamentos, que possibilitaram o retorno de 8.056 cidadãos.
Segundo o governo, a utilização de aeronaves colombianas e a presença de equipes especializadas buscam assegurar condições adequadas durante o trajeto e o atendimento imediato após o desembarque.
As autoridades também afirmam que os passageiros transportados nesses voos retornam sem algemas ou correntes, condição defendida por Petro após as divergências diplomáticas registradas entre os dois países em 2025.
Debate deverá continuar
A chegada de Beto Coral encerrou sua permanência sob custódia migratória, mas não colocou fim às discussões provocadas pelo caso.
A detenção passou a integrar o debate sobre o alcance das normas migratórias, os limites da atuação política de estrangeiros e a proteção à liberdade de expressão nos Estados Unidos.
Também levantou questionamentos sobre a influência de disputas eleitorais colombianas em decisões adotadas por autoridades norte-americanas.
O governo da Colômbia informou que continuará oferecendo assistência ao ativista e acompanhando as providências relacionadas à retirada de seus familiares dos Estados Unidos. Coral, por sua vez, declarou que pretende retomar suas atividades públicas no país.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








