Depois de perder força em abril, o comércio varejista brasileiro apresentou uma reação discreta em maio. O volume de vendas aumentou 0,1% em relação ao mês anterior, resultado considerado próximo da estabilidade pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (16), considera a série com ajuste sazonal. Em abril, o setor havia recuado 1,6%, índice revisado pelo IBGE após a divulgação inicial apontar queda de 1,5%.
Na comparação com maio de 2025, o varejo cresceu 0,4%. Entre janeiro e maio deste ano, o avanço acumulado foi de 1,7%, enquanto o resultado dos últimos 12 meses ficou positivo em 1,4%.
A média móvel trimestral, utilizada para identificar tendências de curto prazo, caiu 0,2% no período encerrado em maio. O resultado mostra que, apesar da recuperação mensal, o comércio ainda enfrenta dificuldades para sustentar um ritmo mais intenso de crescimento.
Copa movimenta diferentes segmentos
Das oito atividades analisadas pela Pesquisa Mensal de Comércio, cinco registraram aumento nas vendas entre abril e maio.
O maior avanço ocorreu no segmento de livros, jornais, revistas e papelaria, que cresceu 15,2%. Na comparação com maio do ano passado, o setor apresentou expansão ainda maior, de 22,5%, alcançando o melhor desempenho anual desde setembro de 2022.
Segundo Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, a antecipação das compras relacionadas à Copa do Mundo contribuiu para o resultado. O lançamento e a comercialização de álbuns e figurinhas ajudaram a movimentar papelarias, bancas e outros estabelecimentos do setor.
O comércio de tecidos, vestuário e calçados avançou 3,1% em maio, após ficar estável no mês anterior. A procura por camisas de seleções, roupas temáticas e produtos relacionados ao torneio também favoreceu o segmento. No acumulado do ano, porém, a atividade registra crescimento de apenas 0,1%.
Móveis e eletrodomésticos tiveram aumento de 2,7%, interrompendo uma sequência de cinco meses sem resultados positivos. A antecipação das compras de televisores para acompanhar os jogos esteve entre os fatores que ajudaram o setor.
As vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria cresceram 1,4% na passagem de abril para maio. O segmento acumula alta de 4,3% em 2026 e mantém uma sequência de 39 meses de crescimento na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Combustíveis e lubrificantes completaram a relação de atividades com resultado positivo, registrando expansão de 1,1%. O desempenho reverteu parte da queda de 5,9% observada em abril.
Supermercados e informática recuam
Três atividades apresentaram redução no volume de vendas durante maio.
A maior queda ocorreu no comércio de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com recuo de 1,7%. Foi o segundo resultado negativo consecutivo do segmento, que já havia registrado retração de 4,3% em abril. Apesar das perdas recentes, a atividade ainda acumula crescimento de 6,1% no ano.
Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram queda de 1,5%, anulando o crescimento de 1,4% registrado no mês anterior. Na comparação com maio de 2025, o segmento recuou 0,5%.
O resultado dos supermercados teve peso importante sobre o índice geral, já que essa atividade representa uma parcela expressiva do comércio varejista brasileiro.
Outros artigos de uso pessoal e doméstico, categoria que reúne estabelecimentos como lojas de departamentos, óticas, joalherias, brinquedos e artigos esportivos, apresentou redução de 0,3%.
No comércio varejista ampliado, que também considera veículos, material de construção e o atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, o volume de vendas caiu 0,2% em maio.
Dentro desse grupo, veículos, motocicletas, partes e peças avançaram 1,8%, enquanto o material de construção cresceu 2,1%. O desempenho positivo não foi suficiente para compensar a retração das demais atividades consideradas no indicador ampliado.
Distrito Federal lidera crescimento regional
O comércio varejista apresentou aumento nas vendas em 11 das 27 unidades da Federação entre abril e maio.
O Distrito Federal registrou o maior avanço, com alta de 1,6%. Acre, Alagoas e Paraíba apareceram na sequência, todos com crescimento de 1,5%.
Na direção contrária, 16 estados tiveram resultados negativos. As quedas mais intensas foram observadas em Rondônia e Roraima, ambos com retração de 3,4%. Amazonas e Goiás recuaram 2,8% cada.
Na comparação com maio de 2025, as vendas cresceram em 12 unidades da Federação. Tocantins apresentou a maior expansão, de 12,3%, seguido por Pernambuco, com 7,4%, e Santa Catarina, com 7%.
O Espírito Santo registrou queda de 2,9% nessa comparação anual. No varejo ampliado, entretanto, o estado teve alta de 3,2% em relação a abril e crescimento de 7,1% diante de maio do ano passado.
Resultado mostra recuperação limitada
O avanço de 0,1% interrompeu a queda registrada em abril, mas permaneceu abaixo das expectativas do mercado. A recuperação foi concentrada em atividades beneficiadas por compras antecipadas para a Copa do Mundo, enquanto segmentos de grande peso, como supermercados, continuaram pressionando o resultado.
A Pesquisa Mensal de Comércio acompanha empresas formalmente constituídas cuja atividade principal é o varejo. O levantamento produz indicadores sobre o volume e a receita nominal das vendas em todas as unidades da Federação.
Os dados de maio mostram que o consumo permanece em terreno positivo no acumulado do ano, mas avança em ritmo moderado. O comportamento dos próximos meses dependerá de fatores como renda das famílias, inflação, mercado de trabalho, condições de crédito e efeitos das compras associadas à Copa do Mundo.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








