O coração costuma avisar quando algo não vai bem. O problema é que, em muitos casos, esses sinais aparecem de forma discreta e acabam sendo confundidos com situações comuns da rotina, como cansaço, idade avançada, sedentarismo ou falta de condicionamento físico.
Mas sentir falta de ar ao caminhar poucos metros, ter dificuldade para subir escadas ou apresentar fadiga intensa em atividades simples pode ser um alerta para insuficiência cardíaca.
Nesta quinta-feira, 9 de julho, a Sociedade Brasileira de Cardiologia chama atenção para o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca. A doença afeta cerca de 1,7 milhão de pessoas no Brasil e ainda é considerada subdiagnosticada, principalmente porque seus sintomas iniciais nem sempre são reconhecidos como sinais de um problema cardíaco.
A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração perde parte da capacidade de bombear sangue de forma eficiente para o corpo. Com isso, órgãos e tecidos recebem menos oxigênio e nutrientes, o que provoca sintomas como falta de ar, cansaço persistente, fraqueza muscular e limitação para tarefas do dia a dia.
Outro sinal importante é a retenção de líquidos. O acúmulo pode causar inchaço nas pernas, nos tornozelos e nos pés. Em muitos casos, o paciente acredita que o desconforto está relacionado apenas ao calor, ao envelhecimento ou ao tempo em pé, mas a persistência desses sintomas deve ser investigada.
Cardiologistas explicam que o esforço físico costuma evidenciar a dificuldade do coração em trabalhar adequadamente. Durante uma atividade, mesmo leve, os músculos exigem maior circulação de sangue. Quando o coração não consegue atender a essa necessidade, aparecem falta de ar, cansaço desproporcional e redução da resistência física.
Por isso, especialistas orientam que a perda de fôlego recorrente não deve ser ignorada, especialmente quando surge de forma progressiva ou sem motivo aparente. Quanto mais cedo a insuficiência cardíaca é identificada, maiores são as chances de controlar a doença e evitar complicações.
Embora seja mais comum em idosos, a insuficiência cardíaca pode atingir diferentes perfis de pacientes. A condição geralmente é consequência de outras doenças cardiovasculares ou metabólicas que, ao longo do tempo, prejudicam o músculo cardíaco.
Entre as principais causas estão hipertensão arterial, diabetes, sequelas de infarto, doenças nas válvulas do coração e enfermidades crônicas que afetam o sistema cardiovascular. No Brasil, a doença de Chagas também permanece como uma das causas associadas ao desenvolvimento do quadro em algumas regiões.
A doença pode se manifestar de forma lenta ou surgir como consequência de um problema cardíaco já instalado. Em alguns casos, a insuficiência cardíaca é o primeiro sinal de uma condição grave que ainda não havia sido diagnosticada.
Pacientes com o quadro podem apresentar episódios de descompensação, quando os sintomas pioram de maneira rápida e há necessidade de atendimento médico urgente ou internação. A mortalidade é considerada elevada, podendo variar de 30% a 50% em cinco anos, conforme a gravidade e as doenças associadas.
O diagnóstico começa pela avaliação clínica, com análise dos sintomas, histórico de saúde e exame físico. Para confirmar a suspeita e identificar a causa do problema, o médico pode solicitar exames como raio-x de tórax, ecocardiograma, ultrassom do coração e exames laboratoriais com biomarcadores cardíacos.
Apesar de grave, a insuficiência cardíaca pode ser controlada com acompanhamento adequado. O tratamento inclui uso regular de medicamentos, controle das doenças de base, mudanças no estilo de vida e monitoramento médico contínuo. Parte dos medicamentos utilizados no tratamento está disponível pelo Sistema Único de Saúde.
A adesão ao tratamento é um ponto decisivo. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de um quarto dos casos de descompensação ocorre porque o paciente interrompe o uso dos remédios. Quando a medicação é suspensa sem orientação médica, o quadro pode se agravar rapidamente.
Outros fatores também podem levar à piora da insuficiência cardíaca, como infecções, arritmias, hipertensão sem controle, infarto e miocardite. Por isso, o acompanhamento regular com cardiologista é essencial para ajustar o tratamento e reduzir riscos.
A reabilitação física também faz parte do cuidado. Exercícios orientados por profissionais de saúde ajudam a fortalecer o coração e a musculatura, reduzem sintomas e contribuem para melhorar a capacidade funcional do paciente.
A prática, no entanto, deve ser individualizada. Os exercícios precisam ser graduais, progressivos e adaptados à condição de cada pessoa. O objetivo é recuperar qualidade de vida com segurança, sem sobrecarregar o coração.
Essas recomendações devem integrar a nova diretriz brasileira para o tratamento da insuficiência cardíaca, prevista para ser apresentada em outubro, durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro.
A expectativa da entidade é ampliar a conscientização sobre a doença, incentivar o diagnóstico precoce e reduzir o número de internações e mortes relacionadas à insuficiência cardíaca.
O alerta dos especialistas é claro: falta de ar, fadiga persistente e inchaço não devem ser tratados como sintomas normais da rotina. Quando esses sinais aparecem com frequência, é fundamental procurar avaliação médica. Diagnóstico precoce e tratamento correto podem fazer a diferença para preservar a saúde do coração e a qualidade de vida.
*Da Agência Fonte Exclusiva








