A morte do dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, chamou atenção para uma doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo: a insuficiência renal crônica.
O autor de grandes novelas como Pantanal, O Rei do Gado e Renascer estava em tratamento contra a condição havia cerca de três anos e morreu nesta terça-feira (7), após permanecer internado no Hospital Hcor, em São Paulo.
Segundo a unidade de saúde, o escritor também apresentava histórico de reinternações relacionadas a infecções urinárias recorrentes, que podem agravar problemas no funcionamento dos rins.
A insuficiência renal crônica é uma das manifestações da doença renal crônica (DRC), caracterizada pela perda progressiva e permanente da capacidade dos rins de desempenhar suas funções. A condição é considerada um problema de saúde pública porque, em muitos casos, avança sem apresentar sintomas claros nos estágios iniciais.
Os rins são responsáveis por funções essenciais para o organismo, como filtrar o sangue, eliminar resíduos produzidos pelo metabolismo, controlar o equilíbrio de líquidos e sais minerais e participar da produção de hormônios importantes para a formação das células sanguíneas e a manutenção dos ossos.
Com a redução da atividade renal, substâncias que deveriam ser eliminadas pela urina começam a se acumular no corpo. Esse processo pode causar sintomas como cansaço constante, inchaço, náuseas, perda de apetite, anemia, alterações na pressão arterial e desequilíbrios de minerais no organismo.
Em situações mais avançadas, o acúmulo de compostos como ureia, creatinina e potássio pode afetar outros órgãos, aumentando o risco de problemas cardiovasculares e alterações no funcionamento do coração. A doença também pode prejudicar a produção de glóbulos vermelhos e interferir no metabolismo da vitamina D.
A evolução da doença renal crônica é acompanhada principalmente pela taxa de filtração glomerular (TFG), exame que avalia a capacidade dos rins de filtrar o sangue. A condição pode ser dividida em cinco estágios, que vão desde alterações leves até a perda grave da função renal.
Nas fases iniciais, o paciente pode não apresentar sinais perceptíveis. Já nos estágios mais avançados, especialmente quando os rins passam a funcionar com grande dificuldade, pode ser necessário recorrer a tratamentos como hemodiálise ou transplante renal.
Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença estão o diabetes e a hipertensão arterial. A glicose elevada por longos períodos pode causar danos às estruturas renais, enquanto a pressão alta aumenta a sobrecarga sobre os vasos sanguíneos responsáveis pela filtragem do sangue.
Outras condições também podem contribuir para o surgimento da insuficiência renal, incluindo inflamações nos rins, doenças autoimunes, alterações genéticas, cálculos renais e infecções urinárias frequentes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial apresenta algum grau de doença renal crônica. No Brasil, estimativas apontam que aproximadamente 6,7% dos adultos convivem com a condição, com maior frequência entre pessoas idosas.
A identificação precoce é uma das principais estratégias para evitar a progressão da doença. Exames simples, como a medição da creatinina no sangue e a análise da presença de proteínas na urina, podem indicar alterações na função dos rins.
O tratamento depende do estágio da doença e busca controlar os fatores que aceleram a perda da função renal. O acompanhamento da pressão arterial, o controle do diabetes, a prática regular de atividades físicas, a alimentação equilibrada e o cuidado com o uso frequente de medicamentos anti-inflamatórios estão entre as medidas recomendadas por especialistas.
Nos casos em que ocorre falência renal avançada, a diálise passa a ser uma alternativa para substituir parte do trabalho realizado pelos rins. A hemodiálise ajuda a retirar substâncias acumuladas no sangue, mas não reproduz completamente todas as funções dos órgãos.
Para alguns pacientes, o transplante renal pode representar uma possibilidade de recuperar uma melhor qualidade de vida, desde que existam condições clínicas adequadas para o procedimento.
O envelhecimento da população e o aumento de doenças como diabetes e hipertensão têm contribuído para o crescimento dos casos de doença renal crônica. Por isso, especialistas reforçam a importância de consultas regulares e exames preventivos, principalmente para pessoas que fazem parte dos grupos de risco.
A prevenção e o diagnóstico antecipado continuam sendo as principais ferramentas para preservar a saúde dos rins e reduzir as complicações causadas pela insuficiência renal crônica.
*Da Agência Fonte Exclusiva








