Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deram um passo importante na busca por vacinas mais eficazes contra a malária.
Um estudo publicado na quarta-feira (1º) na revista científica Nature identificou novos fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium que podem servir como base para o desenvolvimento de imunizantes capazes de oferecer proteção mais ampla contra a doença.
A pesquisa investigou a resposta do sistema imunológico ao parasita, com foco na atuação dos linfócitos TCD8, células responsáveis por localizar e eliminar células infectadas durante a infecção.
De acordo com a coordenadora do estudo e pesquisadora da Fiocruz Minas, Caroline Junqueira, essas células de defesa reconhecem pequenos fragmentos de proteínas presentes na superfície das células contaminadas, permitindo um ataque direcionado ao parasita.
Segundo a pesquisadora, quando um linfócito TCD8 identifica esse fragmento específico, ele libera substâncias capazes de destruir a célula infectada. Cada linfócito reconhece apenas um tipo de fragmento, funcionando como um mecanismo altamente preciso de identificação.
Na primeira etapa da pesquisa, a equipe analisou peptídeos — pequenas porções de proteínas — encontrados na superfície das células infectadas pelo Plasmodium. Os cientistas identificaram 453 peptídeos originados de 166 proteínas diferentes do parasita.
Grande parte dessas proteínas pertence ao grupo conhecido como housekeeping, essencial para a sobrevivência do microrganismo e presente em diferentes espécies e fases do ciclo de vida da malária.
Na sequência, os pesquisadores avaliaram a resposta imunológica em pessoas naturalmente infectadas, voluntários submetidos à infecção controlada e modelos experimentais, incluindo camundongos e primatas.
Os resultados mostraram que os linfócitos TCD8 conseguiram reconhecer células infectadas por cinco espécies distintas de Plasmodium, indicando a possibilidade de desenvolver vacinas com capacidade de proteção mais abrangente.
Com base nesses resultados, os pesquisadores elaboraram duas formulações experimentais de vacina que apresentaram desempenho promissor nos testes iniciais contra a malária.
Segundo Caroline Junqueira, uma nova versão do imunizante, considerada ainda mais avançada, já está em fase final de desenvolvimento e deverá ser submetida para publicação científica ainda neste ano.
A expectativa é que essa nova tecnologia seja capaz de oferecer proteção contra diferentes espécies do parasita e atuar em várias etapas da infecção, superando limitações observadas nas vacinas atualmente disponíveis.
Atualmente, os imunizantes contra a malária oferecem proteção parcial, principalmente nas fases iniciais da doença, e sua eficácia tende a diminuir com o passar do tempo.
Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que a tecnologia ainda precisará passar por novas fases de validação científica e ensaios clínicos antes de uma eventual aplicação em larga escala.
*Da Agência Fonte Exclusiva








