A Petrobras anunciou uma nova redução no preço do querosene de aviação, combustível usado por aviões e helicópteros.
A partir de julho, o valor médio de venda do QAV para as distribuidoras terá queda de 14,5%, o que representa uma redução de R$ 0,81 por litro em relação ao mês anterior.
Com o reajuste, os preços praticados nas refinarias da estatal passam a variar entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro, conforme a localidade e as condições comerciais de fornecimento.
Esta é a segunda queda consecutiva do combustível, após meses de forte pressão sobre os custos do setor aéreo.
A Petrobras informou que os ajustes do querosene de aviação são feitos no início de cada mês, conforme previsto nos contratos com as distribuidoras.
A redução anunciada para julho reflete a diminuição da pressão internacional sobre os derivados de petróleo, após um período de instabilidade provocado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Apesar do recuo, o QAV ainda segue mais caro do que no fim do ano passado. No acumulado de 2026, o combustível registra alta de 40,5%, equivalente a um acréscimo de R$ 1,39 por litro em comparação com o preço praticado em dezembro de 2025.
O querosene de aviação é um dos principais componentes dos custos operacionais das companhias aéreas. Por isso, oscilações fortes no preço do combustível impactam diretamente o planejamento das empresas, a operação de rotas e a formação de tarifas no mercado.
Nos últimos meses, o preço do QAV passou por mudanças expressivas. Em abril, a Petrobras havia anunciado um mecanismo para reduzir o impacto imediato do reajuste previsto em contrato, permitindo que distribuidoras ligadas à aviação comercial pagassem aumento menor naquele mês e parcelassem parte da diferença. Em junho, o combustível teve queda de 14,2%, equivalente a R$ 0,93 por litro.
A nova redução consolida o segundo mês seguido de alívio, mas ainda não elimina o impacto acumulado desde o início do ano.
O setor aéreo continua atento à trajetória do petróleo no mercado internacional, especialmente por causa da sensibilidade dos preços a conflitos, bloqueios logísticos e variações na oferta global.
A crise no Oriente Médio pressionou os preços internacionais ao longo dos últimos meses. O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás, tornou-se um dos focos de preocupação do mercado, já que interrupções ou restrições no fluxo de navios afetam diretamente a percepção de risco sobre o abastecimento mundial.
Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil não fica isolado dessas oscilações. Petróleo e derivados são commodities negociadas internacionalmente, e os preços internos acabam influenciados por fatores como cotação global, câmbio, oferta, demanda e instabilidade geopolítica.
Na cadeia de comercialização, a Petrobras vende o QAV produzido em suas refinarias ou importado para as distribuidoras. Depois disso, as empresas distribuidoras são responsáveis pelo transporte e pela venda do combustível às companhias aéreas, operadores de transporte, aeroportos e demais consumidores finais.
A estatal tem participação majoritária na produção nacional do querosene de aviação, mas o mercado também permite a atuação de outros produtores e importadores. A concorrência, no entanto, não impede que os preços internos acompanhem movimentos relevantes do mercado externo.
Para as companhias aéreas, a queda anunciada em julho representa um alívio importante, principalmente depois de um primeiro semestre marcado por reajustes elevados. Ainda assim, o cenário exige cautela, já que novas tensões internacionais ou mudanças nas cotações do petróleo podem voltar a pressionar o combustível nos próximos meses.
A redução do QAV pode ajudar a diminuir parte da pressão sobre os custos do setor, mas não significa, necessariamente, queda imediata no preço das passagens. As tarifas aéreas dependem de diversos fatores, como demanda, oferta de voos, câmbio, custos operacionais, estratégia comercial das empresas e antecedência da compra.
Com o novo reajuste, o mercado passa a acompanhar os próximos movimentos da Petrobras e do petróleo internacional. A trajetória do querosene de aviação em agosto dependerá do comportamento das cotações globais, da estabilidade no Oriente Médio e das condições de abastecimento no mercado de derivados.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








