O professor e pré-candidato a deputado federal Marcelo Freixo esteve no Norte Fluminense para lançar o livro Viver é Perigoso: minha travessia no Rio, obra autobiográfica que revisita sua trajetória pessoal, sua atuação na política e os bastidores do enfrentamento ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro.
O lançamento ocorreu na quinta-feira (25), no Instituto Federal Fluminense (IFF), em Macaé. No mesmo dia, Freixo também cumpriu agenda em Rio das Ostras, com apresentação da obra no Paradiso Gastronomia.
Escrito em parceria com o jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso, o livro propõe uma leitura sobre as últimas décadas da política fluminense, com foco na expansão das milícias, na infiltração de grupos criminosos em estruturas públicas e na relação entre crime, polícia, poder econômico e vida institucional. O prefácio é assinado pelo ator Wagner Moura.
Na obra, Freixo resgata memórias da infância e juventude na periferia de Niterói, a formação como professor de História, a atuação em defesa dos direitos humanos e a chegada ao parlamento. A narrativa costura episódios pessoais com acontecimentos que marcaram o Rio de Janeiro neste século, em um cenário atravessado por desigualdade social, violência armada, disputa territorial e crise na segurança pública.
Um dos eixos centrais do livro é a atuação de Freixo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, especialmente durante a CPI das Milícias, investigação que expôs a estrutura de grupos paramilitares responsáveis por controlar comunidades, explorar serviços clandestinos e movimentar grandes volumes de dinheiro por meio de atividades ilegais.
O relato mostra como essas organizações deixaram de atuar apenas pela força armada e passaram a ocupar espaços políticos, econômicos e institucionais. Ao narrar os bastidores das investigações, o autor também aborda os riscos assumidos por agentes públicos, defensores de direitos humanos e testemunhas que enfrentaram esses grupos.
A memória da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, também ocupa lugar de destaque na biografia. Ex-assessora de Freixo, Marielle é apresentada na obra como parte de uma geração política marcada pela defesa dos direitos humanos, pela presença nas comunidades e pelo enfrentamento à violência de Estado.
Em um dos trechos mais fortes, Freixo relata o impacto de acompanhar o julgamento dos executores do crime e de ouvir que ele próprio teria sido um dos primeiros alvos cogitados pelos mandantes. A passagem reforça o tom da obra, que mistura memória, denúncia política e reflexão sobre os limites da vida pública em um estado atravessado pela violência.
O título Viver é Perigoso dialoga com a frase de João Guimarães Rosa e sintetiza a linha narrativa do livro. Freixo transforma a experiência do medo em reflexão sobre coragem, escolhas e compromisso público. Para ele, o perigo não deve paralisar, mas pode dar direção a uma trajetória construída em meio a ameaças, perdas e enfrentamentos.
Com linguagem memorialística e conteúdo político, a biografia busca oferecer ao leitor um retrato dos mecanismos que ajudaram a transformar o crime organizado em força de influência no Rio de Janeiro. Mais do que um relato pessoal, o livro se apresenta como uma tentativa de compreender como as engrenagens da violência se conectaram à política e ao cotidiano da população fluminense.
Serviço
Livro: Viver é Perigoso: minha travessia no Rio
Autor: Marcelo Freixo, com Bruno Paes Manso
Editora: Planeta do Brasil
*Da Agência Fonte Exclusiva.








