A Petrobras anunciou uma nova política para a formação dos preços do gás natural comercializado com as distribuidoras, buscando reduzir os efeitos das oscilações do mercado internacional sobre os reajustes trimestrais. A medida foi aprovada pela companhia na última semana e divulgada nesta terça-feira (30).
Com a mudança, o aumento previsto para 1º de agosto deverá ficar em torno de 6%, segundo estimativa da estatal. Caso o modelo anterior permanecesse em vigor, o reajuste poderia chegar a aproximadamente 22%. A empresa ressalta, entretanto, que o percentual definitivo ainda será calculado.
Pelas regras atuais, os contratos de fornecimento de gás natural têm revisão de preços a cada três meses. O último reajuste, realizado em 1º de maio, resultou em uma elevação média de 19,2%.
A principal novidade é a criação de um mecanismo de proteção baseado em faixas de variação para a cotação do petróleo Brent, indicador utilizado como referência na composição dos preços do gás. Com a definição de valores mínimos e máximos para o barril, a Petrobras pretende reduzir o impacto de oscilações bruscas no mercado internacional.
Segundo a companhia, o sistema permitirá amortecer temporariamente as variações do petróleo, oferecendo maior previsibilidade para as distribuidoras e evitando reajustes expressivos em um único período.
A adoção da nova metodologia será opcional. As distribuidoras que desejarem utilizar o novo modelo deverão formalizar a adesão por meio de um aditivo aos contratos de fornecimento firmados com a Petrobras.
A estatal destacou ainda que o preço pago pelos consumidores finais depende de outros fatores além do valor de venda às distribuidoras. Custos de transporte, distribuição, comercialização e tributos também influenciam a tarifa.
No caso do Gás Natural Veicular (GNV), entram na composição do preço as margens aplicadas pelos postos de abastecimento. As tarifas finais continuam sujeitas à homologação das agências reguladoras estaduais.
A Petrobras esclareceu que a alteração vale apenas para o gás natural canalizado e não se aplica ao gás liquefeito de petróleo (GLP), comercializado em botijões.
A mudança ocorre em meio à instabilidade do mercado global de energia. A escalada das tensões no Oriente Médio vem pressionando as cotações internacionais do petróleo e do gás natural, especialmente devido às dificuldades de abastecimento provocadas pelos bloqueios no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de combustíveis.
No Brasil, o governo federal também adotou medidas para amenizar os impactos da alta dos preços da energia, incluindo incentivos temporários e programas voltados ao setor de combustíveis, com o objetivo de reduzir os reflexos sobre consumidores e empresas.
*Da Agência Fonte Exclusiva








