O Conselho Federal de Medicina lançou uma nova ferramenta baseada em inteligência artificial para reforçar a fiscalização do ato médico em todo o país. A tecnologia será utilizada pelos Conselhos Regionais de Medicina para identificar possíveis irregularidades, agilizar investigações e fortalecer o combate ao exercício ilegal da profissão.
A medida surge em meio à preocupação crescente com casos de falsos médicos, uso indevido de registros profissionais e atuação irregular em unidades públicas e privadas de saúde. Em diferentes regiões do país, já foram registradas ocorrências de pessoas sem diploma ou sem habilitação legal atendendo pacientes, receitando medicamentos e se passando por profissionais formados.
Segundo o CFM, o sistema utiliza inteligência artificial certificada para monitorar e identificar indícios de práticas ilegais relacionadas ao ato médico. A ferramenta deve ajudar os conselhos regionais a cruzar informações, rastrear possíveis irregularidades e tornar mais rápida a abertura de procedimentos de fiscalização.
O objetivo é proteger a população e garantir que consultas, diagnósticos, prescrições e procedimentos sejam realizados apenas por profissionais devidamente registrados e habilitados. No Brasil, o exercício da medicina exige formação superior em Medicina e registro ativo no Conselho Regional de Medicina.
A nova plataforma também se soma a outras iniciativas recentes do CFM, como o Medicina Segura, canal criado para receber denúncias de danos causados por profissionais não médicos, e medidas voltadas à fiscalização de procedimentos de risco.
A entidade afirma que a inteligência artificial não substitui o trabalho humano dos fiscais, mas amplia a capacidade de análise e triagem dos conselhos. Com isso, situações suspeitas podem ser identificadas com mais rapidez, permitindo respostas mais eficientes por parte dos órgãos responsáveis.
O lançamento também reacende o debate sobre a segurança do paciente e os riscos provocados por atendimentos feitos por pessoas sem qualificação. A atuação de falsos médicos pode levar a diagnósticos incorretos, prescrição inadequada de medicamentos, agravamento de doenças e até morte.
Além do risco à saúde, o exercício ilegal da medicina é crime e pode envolver outras práticas, como falsidade ideológica, uso indevido de documentos, fraude e dano ao consumidor. Quando há participação de médicos registrados que cedem ou permitem o uso de seus dados profissionais por terceiros, o caso também pode gerar responsabilização ética e administrativa.
Com a nova ferramenta, o CFM pretende ampliar o alcance da fiscalização em um cenário de expansão dos serviços de saúde, crescimento das plataformas digitais e aumento da circulação de informações profissionais na internet.
A expectativa é que a inteligência artificial ajude a identificar mais rapidamente quem está atuando fora da lei e fortaleça a confiança da população no atendimento médico regular.
*Da Agência Fonte Exclusiva







