Quase quatro anos após o crime que teve repercussão internacional, o caso das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips avança para uma nova fase na Justiça Federal.
A Justiça Federal do Amazonas aceitou o pedido para que Rubens Dario Villar, conhecido como “Colômbia”, seja levado a júri popular sob acusação de ser o mandante dos assassinatos.
A informação foi divulgada nesta semana pelo Ministério Público Federal. De acordo com o MPF, Rubens Dario Villar foi denunciado como o responsável por ordenar as mortes de Bruno e Dom, ocorridas em junho de 2022, na região do Vale do Javari, no Amazonas.
A área é considerada uma das mais sensíveis do país por abrigar terras indígenas, comunidades tradicionais e intensa pressão de atividades ilegais.
Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram durante um deslocamento entre as comunidades São Rafael e Atalaia do Norte.
O sumiço mobilizou equipes de busca na região e provocou forte comoção no Brasil e no exterior. Dez dias depois, os corpos foram encontrados enterrados em uma área de mata fechada.
A decisão foi tomada pela Justiça Federal em Tabatinga, que acolheu pedido da Procuradoria da República. Rubens Dario Villar foi denunciado por duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Ele também é apontado nas investigações como suspeito de liderar um esquema de pesca ilegal na região, atividade que teria relação com a motivação do crime.
Segundo a Polícia Federal, os assassinatos teriam sido motivados por vingança. A investigação concluiu que Bruno Pereira atuava na fiscalização e na proteção de comunidades indígenas no Vale do Javari, contrariando interesses ligados à pesca ilegal e a outras práticas criminosas na região.
Com a decisão que leva “Colômbia” a júri popular, o processo entra em uma etapa decisiva. Antes da marcação da data do julgamento, ainda será necessário aguardar o esgotamento dos recursos.
Somente depois disso terá início a segunda fase do procedimento, quando será definida a sessão do Tribunal do Júri.
Além da ação contra o homem apontado como mandante, outros processos relacionados ao caso seguem em tramitação.
Amarildo da Costa, Jefferson Lima e Oseney da Costa são réus acusados de participação direta na execução do crime.
O julgamento de Amarildo e Jefferson deve ocorrer em Manaus, mas a situação processual do terceiro réu ainda não foi definida pela Justiça.
Na Justiça Federal em Tabatinga, também tramitam ações envolvendo outras pessoas ligadas ao caso.
Sete réus, entre familiares e supostos cúmplices dos executores, aguardam a fase de alegações finais em uma acusação relacionada à ocultação dos cadáveres.
Há ainda uma quarta ação penal em andamento, na qual investigados são acusados de integrar uma organização criminosa.
Esse processo busca apurar a estrutura que, segundo as autoridades, atuava no Vale do Javari e teria ligação com atividades ilegais na região.
As mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips expuseram a violência em áreas de fronteira da Amazônia e chamaram atenção para os riscos enfrentados por defensores de povos indígenas, ambientalistas, jornalistas e agentes envolvidos no combate a crimes ambientais.
O avanço do processo contra o suposto mandante representa uma etapa importante na busca por responsabilização pelos assassinatos.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








