Celebrado em 3 de junho, o Dia Mundial da Bicicleta reforça a importância da mobilidade sustentável e do papel das bicicletas na construção de cidades mais acessíveis, saudáveis e menos dependentes dos automóveis.
No Estado do Rio de Janeiro, iniciativas legislativas e experiências bem-sucedidas, como a da Ilha de Paquetá, impulsionam o debate sobre a ampliação da infraestrutura cicloviária e a integração desse modal aos sistemas de transporte urbano.
Embora as capitais brasileiras tenham ampliado suas redes de ciclovias e ciclofaixas nos últimos anos, os desafios ainda são significativos. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que apenas uma pequena parcela da população urbana vive em ruas com infraestrutura adequada para bicicletas.
Ao mesmo tempo, milhões de brasileiros utilizam diariamente esse meio de transporte para deslocamentos ao trabalho, estudo e demais atividades.
No Rio de Janeiro, a Lei Estadual nº 7.105/2015 consolidou um importante marco para a mobilidade ativa ao instituir o Sistema Cicloviário Estadual. A
legislação reconhece a bicicleta como um meio de transporte efetivo, incentivando sua utilização não apenas para lazer e esporte, mas também como ferramenta de deslocamento urbano e integração social.
O debate ganhou novo impulso com a aprovação, pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), do Projeto de Lei 5.137/25.
A proposta estabelece medidas voltadas à segurança dos pedestres em ciclovias localizadas nas orlas marítimas, prevendo melhorias na sinalização e a implantação de áreas específicas para travessia em acessos às praias. O texto aguarda análise do Poder Executivo.
Especialistas e parlamentares destacam que o fortalecimento da mobilidade por bicicleta está diretamente ligado à redução dos impactos ambientais provocados pelo trânsito urbano. O setor de transportes figura entre os principais responsáveis pelas emissões de poluentes atmosféricos e pelo aumento dos congestionamentos nas grandes cidades.
Autor da Lei do Sistema Cicloviário Estadual, o deputado Carlos Minc defende que a ampliação da infraestrutura para bicicletas deve integrar políticas de sustentabilidade urbana. Segundo ele, o incentivo ao transporte ativo contribui para reduzir a poluição, melhorar a qualidade de vida e tornar os municípios mais resilientes aos desafios ambientais.
Além da expansão das ciclovias, a Alerj também analisa propostas para ampliar a integração entre bicicletas e o transporte público.
Um dos projetos em tramitação prevê a autorização do transporte de bicicletas em sistemas aquaviários, metroviários e ferroviários fora dos horários de pico, facilitando a combinação entre diferentes modais e ampliando as possibilidades de deslocamento para trabalhadores e estudantes.
Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj, deputado Jorge Felippe Neto, a bicicleta ocupa atualmente um papel estratégico dentro dos planos de mobilidade urbana da Região Metropolitana do Rio.
Ele ressalta que a integração entre ciclovias, estações de trem, metrô e corredores de transporte coletivo pode reduzir a dependência dos automóveis e tornar os deslocamentos mais eficientes.
Enquanto o debate avança no campo legislativo, a Ilha de Paquetá se mantém como uma referência prática de mobilidade sustentável.
Localizada na Baía de Guanabara, a região preserva uma dinâmica urbana diferenciada, onde a circulação de automóveis é extremamente limitada e bicicletas, caminhadas e charretes fazem parte da rotina dos moradores.
A empresária Ana Paula Salgado, que atua há décadas na Ilha, acredita que a tranquilidade proporcionada pela baixa circulação de veículos motorizados é um dos principais atrativos turísticos de Paquetá.
Segundo ela, a experiência demonstra que é possível construir ambientes urbanos mais seguros, silenciosos e agradáveis para moradores e visitantes.
Já o corretor de imóveis Fábio Ribeiro, morador da Ilha e trabalhador na capital, observa que a realidade enfrentada pelos ciclistas em outras regiões do estado ainda apresenta obstáculos importantes.
Para ele, a ampliação das ciclovias e a criação de rotas seguras são fundamentais para que mais pessoas adotem a bicicleta como meio de transporte diário.
A combinação entre investimentos em infraestrutura, integração modal e políticas públicas voltadas à mobilidade ativa surge como um dos principais caminhos para transformar a bicicleta em uma alternativa cada vez mais presente na rotina dos fluminenses, contribuindo para cidades mais sustentáveis, eficientes e inclusivas.
*Da Agência Fonte Exclusiva








