TO presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil continuará ampliando suas relações comerciais com outros países para reduzir os impactos das novas medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos.
A declaração foi feita durante uma reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto, em Brasília.
Segundo Lula, o país não pretende depender exclusivamente do mercado norte-americano e buscará novas oportunidades de negócios caso as restrições comerciais avancem. O presidente destacou que o Brasil possui autonomia para diversificar suas exportações e atrair investimentos internacionais.
Durante o encontro com ministros, Lula ressaltou que o país pretende manter uma postura de independência nas relações internacionais, defendendo o respeito entre as nações e a soberania brasileira.
O chefe do Executivo também afirmou que o governo continuará trabalhando para fortalecer parcerias estratégicas em diferentes regiões do mundo.
A manifestação ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugerir a aplicação de tarifas de até 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida faz parte de uma investigação iniciada ainda durante o governo do presidente Donald Trump, que aponta supostas práticas consideradas desleais no comércio entre os dois países.
Entre os argumentos apresentados pelo órgão norte-americano está a alegação de que o sistema de pagamentos instantâneos Pix teria criado condições desfavoráveis para empresas dos Estados Unidos que atuam no setor de pagamentos eletrônicos, incluindo operadoras de cartões de crédito e plataformas digitais.
Lula afirmou ter sido surpreendido pelo anúncio, especialmente porque, segundo ele, havia negociações em andamento para buscar uma solução consensual.
O presidente relembrou um encontro realizado na Casa Branca com Donald Trump, quando apresentou dados que apontariam um saldo comercial favorável aos Estados Unidos na relação bilateral.
De acordo com o presidente brasileiro, os EUA acumularam um superávit de aproximadamente US$ 415 bilhões nas trocas comerciais com o Brasil nos últimos 15 anos. Para Lula, esse cenário demonstraria a importância da manutenção do diálogo entre os dois países.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) avalia que as novas tarifas podem afetar diretamente cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
O governo federal e empresas potencialmente prejudicadas terão até o dia 15 de julho para apresentar manifestações sobre o relatório final divulgado pelo USTR.
Além das questões comerciais, Lula voltou a defender o fortalecimento das instituições multilaterais e a reforma de organismos internacionais. O presidente confirmou que participará da próxima reunião do G7, na França, como convidado do presidente francês Emmanuel Macron.
Segundo Lula, o cenário internacional exige esforços para preservar o diálogo entre as nações e fortalecer instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU).
O presidente argumentou que desafios globais devem ser enfrentados por meio da cooperação internacional e da valorização dos mecanismos multilaterais existentes.
Enquanto as negociações seguem em curso, o governo brasileiro mantém a expectativa de encontrar soluções diplomáticas que evitem prejuízos às exportações nacionais e preservem as relações comerciais entre as duas maiores economias do continente.
*Da Agência Fonte Exclusiva








