A Fiocruz anunciou um acordo de transferência de tecnologia que permitirá a produção nacional de um medicamento utilizado no tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), considerada a forma mais comum da doença.
A iniciativa envolve parceria com a Merck e a Nortec Química e tem como objetivo ampliar o acesso ao tratamento por meio do Sistema Único de Saúde, além de fortalecer a indústria nacional da saúde.
O medicamento contemplado no acordo é a cladribina oral, comercializada internacionalmente como Mavenclad. Atualmente, o tratamento possui custo elevado, chegando próximo de R$ 140 mil por paciente ao longo de cinco anos.
Segundo a Fiocruz, a produção nacional poderá reduzir significativamente os custos de aquisição da medicação e ampliar a disponibilidade do tratamento para pacientes da rede pública.
A esclerose múltipla é uma doença crônica que afeta o sistema nervoso central, comprometendo o cérebro e a medula espinhal.
A condição pode provocar sintomas neurológicos variados, incluindo dificuldades motoras, perda cognitiva, alterações visuais e outros impactos progressivos na qualidade de vida.
De acordo com especialistas, o tipo remitente-recorrente da doença representa a maioria dos casos diagnosticados no país e atinge principalmente mulheres. Estimativas apontam que entre 35 mil e 40 mil brasileiros convivem atualmente com a enfermidade.
A cladribina é considerada um avanço terapêutico por oferecer tratamento oral de curta duração e efeito prolongado. O protocolo prevê administração em apenas 20 dias distribuídos ao longo de dois anos, com benefícios que podem se estender por vários anos após o tratamento.
Pesquisas recentes apresentadas no congresso europeu voltado à investigação da esclerose múltipla indicaram redução de lesões neurológicas e manutenção da capacidade de locomoção em grande parte dos pacientes acompanhados durante mais de uma década.
Para a Fiocruz, o acordo representa um passo importante para fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde e ampliar a autonomia do Brasil na produção de medicamentos estratégicos.
*Da Agência Fonte Exclusiva








