Uma pesquisa recente identificou que o cérebro humano ativa padrões neurais semelhantes tanto ao visualizar um objeto quanto ao imaginá-lo mentalmente. O estudo, publicado em 9 de abril na revista científica Science, apresenta evidências detalhadas de que a percepção visual e a imaginação compartilham um mesmo código neural, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada sobre o funcionamento da mente.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Ciências da Saúde Cedars-Sinai, em colaboração com o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Para investigar a atividade cerebral, os cientistas analisaram 16 adultos com epilepsia que já utilizavam eletrodos implantados temporariamente como parte do monitoramento clínico de suas crises. Durante o experimento, os participantes observaram imagens de rostos e objetos enquanto os pesquisadores registravam a resposta de neurônios específicos localizados no córtex temporal ventral, área ligada ao processamento visual.
Os resultados mostraram que cerca de 80% dos neurônios analisados responderam aos estímulos visuais por meio de um padrão identificado como código distribuído, no qual diferentes células nervosas respondem a características específicas das imagens. Em uma segunda etapa do estudo, parte dos participantes foi orientada a imaginar as mesmas imagens anteriormente apresentadas. Aproximadamente 40% dos neurônios que haviam respondido à visualização foram novamente ativados durante o processo de imaginação, com intensidade semelhante à observada na percepção real.
A reativação desses neurônios foi suficientemente consistente para permitir que os pesquisadores identificassem quais imagens estavam sendo imaginadas pelos participantes, um resultado considerado inédito nesse tipo de investigação. Segundo os autores do estudo, o achado indica que o cérebro utiliza mecanismos semelhantes tanto para perceber quanto para recriar mentalmente uma imagem a partir da memória.
Ferramentas de inteligência artificial também tiveram papel importante na pesquisa. Os cientistas utilizaram sistemas capazes de gerar imagens sintéticas que estimulassem respostas específicas dos neurônios, permitindo validar o padrão de atividade identificado. Esse uso de tecnologia contribuiu para aprofundar o entendimento sobre como o cérebro organiza e representa informações visuais.
Os pesquisadores destacam que a descoberta pode ter implicações relevantes para o estudo de transtornos mentais que envolvem imagens mentais intensas ou intrusivas, como o transtorno de estresse pós-traumático e o transtorno obsessivo-compulsivo. A compreensão dos mecanismos neurais relacionados à imaginação pode contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas no futuro.
Apesar dos avanços, ainda não está totalmente esclarecido como o cérebro seleciona quais neurônios serão ativados durante o processo de imaginação, nem quais fatores determinam a formação de determinadas imagens mentais. O estudo amplia o conhecimento científico sobre a relação entre percepção, memória e atividade cerebral, abrindo caminho para novas investigações na área da neurociência.
*Da Agência Fonte Exclusiva








