A Vibra Energia, responsável por uma ampla rede de postos que ainda utilizam a marca Petrobras, anunciou que vai aderir ao programa de subvenção ao diesel lançado pelo governo federal. A iniciativa, que entra em vigor em abril, foi criada com o objetivo de conter a escalada nos preços do combustível no país.
Com cerca de 8 mil postos distribuídos pelo Brasil, a entrada da Vibra representa um avanço importante para ampliar o alcance do programa. Inicialmente, as principais distribuidoras — incluindo a própria Vibra, além de Raízen (Shell) e Ipiranga — haviam optado por não participar da medida.
Em comunicado, a empresa informou que ainda avalia aspectos técnicos do programa e mantém diálogo com o governo federal e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo a Vibra, o objetivo é garantir que a adesão ocorra de forma alinhada com critérios de governança e eficiência logística.
A companhia também destacou que apoia ações que promovam maior previsibilidade no mercado de combustíveis, reduzindo impactos tanto para consumidores quanto para setores produtivos.
A Vibra é resultado da privatização da antiga BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. O processo teve início em 2019 e foi concluído em 2021. Pelo acordo, a empresa mantém o direito de utilizar a marca Petrobras em seus postos até 2029.
Dados recentes da ANP apontam que a Vibra lidera o mercado brasileiro de diesel, com 21,24% de participação. Na sequência aparecem Ipiranga, com 17,72%, e Raízen, com 17,34%.
O programa federal foi lançado em 12 de março e prevê um subsídio inicial de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores que comercializarem diesel abaixo do preço de referência estabelecido pela ANP.
Posteriormente, o governo ampliou os incentivos. Foi incluído um adicional de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com divisão de custos entre a União e os estados. Também foi criado um benefício extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil.
O prazo inicial da medida é de dois meses, podendo alcançar até R$ 4 bilhões em recursos. No caso da produção nacional, o custo estimado é de cerca de R$ 3 bilhões por mês.
Para ter acesso ao benefício, as empresas precisam garantir que a redução seja repassada ao consumidor final. A ANP acompanha os preços por meio de uma tabela de referência atualizada regularmente.
Atualmente, os valores para comercialização do diesel importado variam entre R$ 5,51 e R$ 5,75 por litro, dependendo da região.
Até o momento, nove empresas já aderiram ao programa, incluindo a Petrobras e a Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia, considerada a segunda maior do país.
O aumento dos combustíveis tem relação direta com o cenário externo. A recente escalada nos preços do petróleo foi impulsionada por tensões no Oriente Médio, após ações militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no fim de fevereiro.
A região é estratégica para a produção e o transporte de petróleo, incluindo rotas importantes como o Estreito de Ormuz. Com a instabilidade, houve redução na oferta global, elevando o valor do barril.
No Brasil, os efeitos foram rapidamente sentidos no diesel, já que cerca de 30% do consumo nacional depende de importações.
O impacto da alta dos combustíveis já aparece nos indicadores econômicos. Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou inflação de 0,88%, com destaque para o grupo de transportes.
Os combustíveis tiveram aumento médio de 4,47% no período. A gasolina subiu 4,59%, enquanto o diesel apresentou forte alta de 13,90%, bem acima do registrado em fevereiro, quando havia avançado apenas 0,23%.
*Da Agência Fonte Exclusiva








