Uma revisão sistemática conduzida pela Universidade de East Anglia (UEA), no Reino Unido, aponta o TikTok como a plataforma com maior índice de desinformação sobre saúde mental entre as principais redes sociais. O estudo, publicado no periódico científico The Journal of Social Media Research, analisou milhares de publicações e identificou que mais da metade dos vídeos sobre TDAH continham informações imprecisas ou incompletas.
Os pesquisadores revisaram 27 estudos que, juntos, avaliaram mais de 5 mil conteúdos publicados em plataformas como TikTok, YouTube, Facebook, Instagram e X. Entre os temas analisados estavam autismo, TDAH, esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, transtornos alimentares, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), ansiedade e fobias.
Os resultados indicaram grande variação na qualidade das informações entre as plataformas. Enquanto o YouTube apresentou média de 22% de conteúdos imprecisos e o Facebook cerca de 15%, o TikTok concentrou os índices mais elevados. Segundo o estudo, 52% dos vídeos sobre TDAH e 41% dos conteúdos relacionados ao autismo publicados na plataforma continham algum tipo de informação incorreta.
A pesquisadora Alice Carter, responsável pelo estudo durante seu doutorado na UEA, destaca que a dinâmica dos algoritmos pode favorecer a disseminação de conteúdos simplificados ou sensacionalistas. Segundo ela, o sistema de recomendação tende a priorizar vídeos que geram alto engajamento, o que pode criar ciclos de repetição de informações imprecisas.
O estudo também identificou diferença significativa entre conteúdos produzidos por profissionais da saúde e aqueles criados por usuários sem formação na área. No TikTok, apenas 3% dos vídeos feitos por especialistas apresentaram informações incorretas, enquanto entre criadores não especializados a taxa de imprecisão chegou a 55%.
Para a pesquisadora Eleanor Chatburn, da Escola de Medicina de Norwich, a desinformação pode gerar impactos relevantes, especialmente entre o público jovem. Segundo ela, conteúdos simplificados podem contribuir para interpretações equivocadas sobre transtornos mentais e favorecer o autodiagnóstico sem avaliação clínica adequada.
Os pesquisadores alertam que a circulação de informações imprecisas pode reforçar estigmas, dificultar o acesso ao diagnóstico correto e contribuir para a patologização de comportamentos que fazem parte da experiência humana.
Em resposta ao estudo, o TikTok afirmou que possui políticas de moderação voltadas à remoção de conteúdos prejudiciais e que busca direcionar usuários a informações de fontes confiáveis. O YouTube também informou que prioriza conteúdos produzidos por instituições reconhecidas quando o usuário busca temas relacionados à saúde.
Os autores do estudo defendem maior participação de profissionais de saúde na produção de conteúdo digital baseado em evidências científicas, além do aprimoramento das ferramentas de moderação das plataformas. A recomendação é que usuários busquem fontes confiáveis e considerem que informações online não substituem avaliação clínica especializada.
*Da Agência Fonte Exclusiva








