A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL), que protagonizou um episódio de blackface durante sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nesta quarta-feira (18), declarou-se parda ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2022, quando foi eleita para o cargo.
De acordo com dados oficiais, a parlamentar também informou ter investido mais de R$ 1 milhão em sua campanha e declarou patrimônio de R$ 20 mil à época. O episódio recente reacendeu debates sobre identidade racial, representatividade e responsabilidade institucional.
A polêmica ocorreu durante uma sessão plenária, quando a deputada pintou o rosto e parte do corpo com tinta escura enquanto discursava. Segundo ela, tratava-se de um “experimento social” para criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSol) à presidência da Comissão dos Direitos da Mulher, na Câmara dos Deputados.
Durante a fala, Fabiana afirmou que, mesmo se pintando, não poderia representar pessoas negras e criticou a presença de uma mulher trans na liderança da comissão. O discurso também incluiu declarações contrárias à participação de mulheres trans em esportes femininos.
A manifestação foi interrompida pela deputada Mônica Seixas (PSol), que classificou o episódio como um caso de racismo e transfobia, pedindo a suspensão da sessão. Após o ocorrido, a parlamentar registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
O caso também chegou ao Conselho de Ética da Alesp. A deputada Beth Sahão (PT) protocolou representação pedindo a apuração da conduta por possível quebra de decoro parlamentar, citando racismo e transfobia como fundamentos. Segundo ela, o episódio ultrapassa os limites da liberdade de expressão e configura violação de direitos.
Fabiana Bolsonaro negou ter cometido racismo. Ainda assim, o episódio gerou forte repercussão política e jurídica, ampliando o debate sobre os limites da atuação parlamentar e o uso de discursos que envolvem questões raciais e de gênero no ambiente institucional.
O termo blackface se refere à prática histórica de pessoas não negras pintarem o rosto de forma caricata para representar pessoas negras, sendo amplamente reconhecido como uma manifestação racista e tipificado como crime no Brasil, conforme a Lei nº 7.716/1989.
*Da Agência Fonte Exclusiva








