A Assembleia dos Especialistas do Irã anunciou que já definiu o novo líder supremo do país, responsável por ocupar o posto máximo da estrutura política da República Islâmica. Apesar da escolha ter sido concluída, o nome do sucessor ainda não foi divulgado oficialmente.
A informação foi confirmada pelo clérigo Mohsen Heidari Alekasir, integrante da assembleia e representante da província de Khuzistão. Em declaração à agência iraniana Isna, ele afirmou que a decisão foi tomada pela maioria dos integrantes do colegiado.
Segundo Alekasir, a escolha foi realizada em circunstâncias atípicas, já que os membros da assembleia não puderam se reunir presencialmente devido ao contexto de conflito que envolve o país.
“A opção considerada mais adequada foi aprovada pela maioria dos integrantes da Assembleia dos Especialistas”, declarou o religioso.
O novo líder substituirá o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o cargo há mais de três décadas e morreu após ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos no início do atual conflito armado envolvendo o Irã.
Decisão foi tomada após reuniões intensas
Outra agência de notícias iraniana, a Mehr, divulgou declarações de Hojjatoleslam Mahmoud Rajabi, também integrante da Assembleia dos Especialistas. Ele afirmou que os membros do órgão trabalharam de forma contínua para chegar a uma definição sobre o novo comandante político e religioso do país.
De acordo com Rajabi, o anúncio oficial deverá ser feito pelo secretariado da assembleia e pela mesa diretora da instituição, responsável por formalizar a decisão.
A Assembleia dos Especialistas é composta por 88 religiosos eleitos por voto popular e tem a função constitucional de escolher e supervisionar o líder supremo do Irã.
A escolha do novo líder ocorre em meio a fortes tensões geopolíticas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que gostaria de participar da decisão sobre quem ocupará o posto máximo da República Islâmica.
Em entrevista à agência Axios, Trump declarou que considera necessário ter influência no processo de escolha. Ele também afirmou que não aceitaria a eventual indicação de Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder, que vinha sendo apontado por analistas políticos como um possível sucessor.
Autoridades iranianas reagiram às declarações. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista à rede norte-americana NBC News que a escolha do líder supremo é uma questão interna do país.
“Esse é um assunto exclusivo do povo iraniano. A Assembleia de Peritos foi eleita pela população e é ela que tem a responsabilidade de escolher o líder”, declarou.
O clima de tensão também aumentou após declarações feitas por autoridades israelenses. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o próximo líder supremo iraniano poderá se tornar alvo de ataques.
Segundo ele, qualquer pessoa que assuma o cargo poderá ser considerada um alvo militar.
“Será um alvo claro para eliminação, independentemente de quem seja ou onde esteja”, escreveu o ministro em uma rede social.
O conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos já provocou grande número de vítimas civis. Autoridades iranianas estimam que pelo menos 1.332 civis tenham morrido desde o início dos ataques.
Entre os episódios mais graves relatados está o bombardeio a uma escola feminina, onde 168 crianças morreram, segundo informações divulgadas por autoridades locais.
O líder supremo ocupa o posto mais alto da estrutura política e religiosa do Irã. O cargo possui grande influência sobre o governo, as forças armadas e as principais decisões estratégicas do país.
Além do Executivo, do Parlamento e do Judiciário, o sistema político iraniano conta com instituições próprias da República Islâmica, como o Conselho dos Guardiões e a Assembleia dos Especialistas.
O Conselho dos Guardiões é composto por 12 membros, sendo metade indicada diretamente pelo líder supremo e a outra metade escolhida pelo Parlamento.
Já a Assembleia dos Especialistas, formada por 88 religiosos eleitos pela população, tem a função de escolher o líder supremo e também pode destituí-lo caso considere necessário. Embora o mandato seja vitalício, o colegiado possui autoridade para revisar a permanência do líder no cargo.
*Da Agência Fonte Exclusiva








