Nenhum cidadão brasileiro procurou a embaixada para solicitar apoio para deixar o Irã após os ataques realizados pelos Estados Unidos e aliados no último fim de semana. A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, durante entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, nesta segunda-feira (2).
Segundo o diplomata, a comunidade brasileira residente no país é pequena, formada por aproximadamente 200 pessoas. A maioria é composta por mulheres brasileiras casadas com cidadãos iranianos, vivendo com suas famílias no território iraniano.
De acordo com o embaixador, até o momento não há registro de brasileiros feridos ou afetados diretamente pelos bombardeios. A comunicação com a comunidade ocorre, principalmente, por meio de um grupo de mensagens instantâneas, que funciona de forma intermitente devido às restrições no acesso à internet impostas em determinados momentos.
O único caso de saída registrado até agora envolve um treinador de futebol brasileiro, que deixou o país por iniciativa própria, atravessando a fronteira com a Turquia.
A orientação do governo brasileiro, segundo Guimarães, é prestar assistência aos cidadãos que eventualmente necessitem de apoio, garantir a segurança da equipe diplomática e manter Brasília informada sobre os desdobramentos da crise. Ele ressalta que ainda é prematuro discutir uma possível retirada completa do corpo diplomático.
O embaixador explicou que a permanência no país é avaliada continuamente. Até o momento, os ataques têm como foco estruturas militares e prédios ligados ao governo iraniano. Serviços essenciais, como fornecimento de água e energia elétrica, continuam funcionando, e os mercados seguem abastecidos, embora haja redução significativa da circulação de pessoas nas ruas.
Apesar de a rotina básica estar mantida, Guimarães destacou que o ambiente é de forte tensão. Os bombardeios são frequentes e, segundo ele, caracterizados por explosões de grande intensidade. Ainda que os alvos declarados sejam instalações militares, há preocupação com possíveis danos colaterais, já que nem sempre é possível identificar com precisão quais edificações estão vinculadas às estruturas do Estado ou das forças armadas.
Na avaliação do diplomata, é improvável que as ofensivas militares provoquem a queda do atual regime iraniano. Ele argumenta que o sistema político do país é consolidado e estruturado ao longo de mais de quatro décadas, com mecanismos previstos na Constituição para substituição de autoridades.
No último sábado (28), o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante a ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e Israel. No domingo (1º), foi anunciada a criação de um órgão colegiado responsável por assumir as funções anteriormente exercidas por Khamenei, conforme os mecanismos institucionais previstos no país.
O cenário segue sendo acompanhado de perto pela diplomacia brasileira, que mantém contato com a comunidade no Irã e monitora os desdobramentos da crise no Oriente Médio.
*Da Agência: Fonte Exclusiva








