O Brasil contabilizou 437 mil hectares atingidos por incêndios em janeiro, o menor índice para o mês nos últimos dois anos. A área afetada é 36% inferior à registrada no mesmo período de 2025 e representa uma queda de 58% em comparação com janeiro de 2024.
Os dados são do Monitor do Fogo, iniciativa da organização MapBiomas, que acompanha a dinâmica das queimadas em todo o território nacional.
Mesmo com o recuo no cenário geral, o levantamento aponta aumento de focos em biomas importantes, como Pantanal, Caatinga e Mata Atlântica.
De acordo com a coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, Vera Arruda, o crescimento nesses biomas exige atenção, especialmente porque janeiro costuma ser um mês de menor incidência de incêndios devido ao período chuvoso predominante em grande parte do país.
Em números absolutos, a Amazônia liderou em área queimada, com mais de 337 mil hectares atingidos. Na sequência aparecem:
– Pantanal: 38 mil hectares
– Cerrado: 26 mil hectares
– Caatinga: 18 mil hectares
– Mata Atlântica: 14 mil hectares
– Pampa: 59 hectares
Na comparação com janeiro de 2025, a Amazônia apresentou redução de 46% na área afetada. O Pampa teve queda expressiva de 98%, enquanto o Cerrado registrou diminuição de 8%.
Em contrapartida, o Pantanal apresentou aumento de 323% na área queimada. A Mata Atlântica teve crescimento de 177%, e a Caatinga, de 203%.
A maior parte das áreas consumidas pelo fogo em janeiro correspondeu à vegetação nativa, que representou 66,8% do total. Dentro desse grupo, 35% eram formações campestres, 17,3% campos alagados e 7,3% florestas.
Entre as áreas já modificadas por atividades humanas, as pastagens lideraram como as mais atingidas, concentrando 26,3% do total queimado no país.
Dentro do bioma amazônico, o estado de Roraima destacou-se negativamente. Sozinho, o estado registrou 156,9 mil hectares queimados — uma área três vezes superior à total atingida no Pantanal.
Segundo o pesquisador Felipe Martenexen, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o comportamento climático específico de Roraima explica parte desse cenário.
O estado é o único do país totalmente localizado acima da Linha do Equador e enfrenta um período de estiagem entre dezembro e abril, conhecido como “verão roraimense”. Essa condição aumenta a vulnerabilidade ao fogo, principalmente em áreas de vegetação campestre, chamadas de lavrados, e outras formações abertas.
Além de Roraima, os estados do Maranhão e Pará também figuram entre os que mais registraram queimadas em janeiro, com 109 mil hectares e 67,9 mil hectares atingidos, respectivamente.
Especialistas reforçam que, embora o balanço nacional indique redução, o avanço do fogo em biomas sensíveis durante o período chuvoso acende um sinal de alerta para os próximos meses.
*Da Agência: Fonte Exclusiva








