Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 18,6 milhões de brasileiros, o equivalente a 9,3% da população, convivem com transtornos de ansiedade no país.
Um levantamento da Planisa, considerando dados de 2013 a 2023, mostra que os jovens são os mais afetados e que as internações relacionadas ao estresse e à ansiedade entre indivíduos de 13 a 29 anos aumentaram 136% ao longo da década.
Especialistas apontam como principais fatores o estresse provocado pelo isolamento na pandemia, o alto índice de desemprego, as constantes mudanças na economia e a sensação de insegurança pública.
Diante desse cenário, surge a pergunta: o que pode ser feito e quando procurar ajuda?
Falar sobre saúde mental sem tabu ainda é uma das principais formas de prevenção. Ansiedade não é frescura e estresse não é fraqueza. Naturalizar conversas sobre emoções em casa, na escola, na universidade e no trabalho ajuda a identificar sinais precoces e reduz a chance de agravamento do sofrimento.
A educação emocional também precisa começar cedo. Ensinar crianças e adolescentes a reconhecer emoções, nomear sentimentos, lidar com frustrações e desenvolver estratégias de regulação emocional não é apenas um complemento da formação — é parte essencial dela. Saúde mental também se aprende.
Outro ponto importante é reduzir sobrecargas desnecessárias. Vivemos em uma cultura de produtividade permanente, na qual descanso costuma vir acompanhado de culpa. Estabelecer limites, equilibrar estudo, trabalho e lazer e diminuir a autocobrança excessiva são medidas de proteção psicológica. Descansar não é preguiça, é necessidade biológica.
Criar redes de apoio também faz diferença. Família, amigos, escola e comunidade podem funcionar como proteção emocional. Ninguém deveria enfrentar sofrimento emocional sozinho.
Muitas pessoas esperam a situação se tornar insuportável para buscar ajuda, mas não é preciso chegar a esse ponto. A procura por apoio é indicada quando a ansiedade passa a ocorrer quase todos os dias, quando há alterações no sono, irritabilidade frequente, sensação de vazio, queda de rendimento escolar ou profissional, isolamento social ou sintomas físicos recorrentes, como taquicardia, falta de ar e tensão muscular. Se interfere na vida cotidiana, já é motivo suficiente para procurar cuidado.
O atendimento pode ser feito por psicólogos, psiquiatras quando necessário, serviços públicos de saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em situações de crise, o Disque 188 do Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece escuta gratuita.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade consigo mesmo. Se o Brasil é um dos países mais ansiosos do mundo, isso não significa que o sofrimento deve ser normalizado, e sim que o cuidado precisa ser ampliado.
Cuidar da saúde mental é tão essencial quanto cuidar do corpo. Quanto antes o apoio é buscado, menores tendem a ser os danos e maiores as chances de recuperação.








