Encerrando cinco dias consecutivos de festa, a terça-feira de Carnaval (17/2) movimentou diferentes pontos do Rio de Janeiro com programação intensa. Além da maratona de blocos — mais de 50 espalhados pela cidade —, a folia também tomou conta da Intendente Magalhães, do Terreirão do Samba e da Marquês de Sapucaí, que recebeu as quatro últimas escolas do Grupo Especial em 2026.
Na avenida, a noite foi marcada por diversidade temática e forte apelo cultural. Abrindo os desfiles, a Paraíso do Tuiuti levou ao público o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, mergulhando na tradição do Ifá, prática religiosa afro-caribenha que vem ganhando novos adeptos no Brasil. A apresentação destacou elementos de ancestralidade, espiritualidade e resistência cultural. Entre os momentos mais impactantes estiveram a ala das baianas, simbolizando a força do Ashé, e uma alegoria que retratou a chegada do Ifá ao Antigo Egito, conectando diferentes territórios da diáspora africana.
Em seguida, a Unidos de Vila Isabel apresentou “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, uma celebração à trajetória de Heitor dos Prazeres, figura essencial para o desenvolvimento do samba e da cultura carnavalesca. Com fantasias vibrantes e alegorias inspiradas na estética das pinturas do artista, a escola emocionou ao resgatar passagens da vida do ogã no terreiro de Tia Ciata. O desfile também relembrou a importância das expressões “Pequena África” e “África em miniatura”, associadas à valorização da herança cultural negra no Rio.
A terceira escola da noite, Acadêmicos do Grande Rio, levou para a avenida o enredo “A Nação do Mangue”, inspirado no movimento Manguebeat, surgido no Recife nos anos 1990. A proposta evidenciou a fusão entre manifestações populares brasileiras e influências urbanas contemporâneas. Alegorias luxuosas e cheias de cores representaram essa mistura criativa, com destaque para o carro alegórico que simbolizou o encontro do Maracatu com a energia elétrica e contestadora do Manguebeat.
Encerrando os desfiles do Grupo Especial, o Acadêmicos do Salgueiro apresentou um enredo lúdico e inventivo em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães. Com o título “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, a escola apostou em uma narrativa fantástica, reunindo personagens como fadas, sereias, piratas e animais em um universo criativo. O samba-enredo foi um dos mais cantados pelo público nas arquibancadas, reforçando a conexão entre escola e espectadores.
A apuração das notas está marcada para esta Quarta-Feira de Cinzas (18/2). As agremiações mais bem colocadas retornam à Marquês de Sapucaí no sábado (21/2), no tradicional Desfile das Campeãs, que encerra oficialmente o Carnaval 2026 na capital fluminense.
Da Agência: Fonte Exclusiva








