A abertura da Série Ouro, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, vai muito além do espetáculo visual. As letras dos sambas-enredo refletem a diversidade cultural do Brasil, trazendo resistência, memória ancestral, crítica histórica e celebração das raízes populares.
A noite começou com a Unidos do Jacarezinho, que homenageou Xande de Pilares em um samba emocionante sobre superação e orgulho comunitário. A Inocentes de Belford Roxo trouxe irreverência, ritmo acelerado e referências à cultura pernambucana, misturando polca, frevo, coco e embolada com humor e alegria.
A União do Parque Acari destacou a matriz africana e a religiosidade afro-brasileira, enquanto a Unidos de Bangu celebrou a trajetória de Leci Brandão, conectando arte, política e resistência feminina. A Unidos de Padre Miguel trouxe a história indígena de Clara Camarão com forte tom épico, e a União da Ilha do Governador revisitou o Cometa Halley de forma lúdica e otimista. A noite terminou com a Acadêmicos de Vigário Geral e seu samba crítico sobre o passado colonial e a afirmação identitária.
Na Série Ouro, entre carros alegóricos impressionantes e fantasias, os versos dos sambas continuam sendo o coração do desfile, revelando debates sobre racismo, colonialismo, fé, militância e orgulho periférico.
*Da Agência Fonte Exclusiva








