Uma vulnerabilidade de segurança identificada no ChatGPT permitia o roubo de informações sensíveis sem que o usuário precisasse clicar em links ou interagir com conteúdos suspeitos. A falha, classificada como “zero-click”, afetava o agente autônomo Deep Research, da OpenAI, e operava inteiramente dentro da infraestrutura em nuvem da empresa, driblando mecanismos tradicionais de proteção digital.
Batizada de “ZombieAgent”, a vulnerabilidade permitia que invasores inserissem instruções maliciosas em e-mails ou documentos aparentemente comuns. Ao serem processados pelo agente de pesquisa do ChatGPT, esses arquivos ativavam comandos ocultos capazes de coletar dados de caixas de e-mail, acessar arquivos sensíveis e se comunicar com servidores externos, tudo de forma silenciosa e sem qualquer ação do usuário.
Segundo a empresa de cibersegurança responsável pela descoberta, o problema foi reportado à OpenAI em 26 de setembro de 2025 e corrigido em 16 de dezembro do mesmo ano. Ainda assim, o caso acendeu um alerta sobre os riscos associados ao uso crescente de agentes de inteligência artificial com acesso a dados corporativos e sistemas internos.
O diferencial do ZombieAgent em relação a falhas anteriores está na capacidade de implantar regras maliciosas diretamente na memória de longo prazo do agente de IA. Isso permitia o controle persistente do sistema, fazendo com que o agente executasse ações ocultas sempre que fosse utilizado. Além disso, o ataque poderia se espalhar automaticamente para outros contatos, configurando uma campanha do tipo “worm” dentro de organizações.
A falha explorava uma brecha relacionada à vulnerabilidade conhecida como “ShadowLeak”, divulgada anteriormente por pesquisadores da Radware. Embora a OpenAI tenha corrigido esse problema em setembro, os invasores conseguiram contornar a proteção utilizando URLs pré-construídas que permitiam a exfiltração de dados caractere por caractere.
Para especialistas em segurança digital, o episódio evidencia fragilidades estruturais nas plataformas de IA agêntica. “As empresas confiam cada vez mais nesses agentes para tomar decisões e acessar informações críticas, mas não têm visibilidade suficiente sobre como eles interpretam conteúdos não confiáveis ou quais ações executam na nuvem”, afirmou Pascal Geenens, vice-presidente de inteligência de ameaças da Radware.
A OpenAI não comentou oficialmente o caso até o momento. A Radware anunciou que realizará um webinar no próximo dia 20 de janeiro para detalhar o funcionamento da vulnerabilidade e apresentar recomendações de defesa.
O episódio reforça as preocupações globais sobre a segurança de agentes de IA autônomos, especialmente à medida que essas tecnologias passam a desempenhar papéis centrais em ambientes corporativos e no gerenciamento de dados sensíveis.
*Da Agência Fonte Exclusiva








