A igreja Católica de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, vai estimular a participação dos fieis na vida política. A Diocese, que abrange outros municípios da Região, começa a discutir no dia 9 de maio a criação da pastoral da cidadania.
A ideia é motivar a participação de fieis em debates como orçamento participativo, audiências públicas, monitoramento da atuação de vereadores, deputados, senadores e gestores públicos, cobrando transparência na administração de recursos dos contribuintes.
A Igreja também pretende motivar o movimento dos fieis contra a corrupção eleitoral, como compra de votos nas eleições, além de estimular a participação dos leigos na vida partidária adotando os princípios da igreja e as orientações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
– É preciso combater a omissão. Se os bons se omitem, os maus tomam conta. É preciso que os leigos entrem na vida pública para mudar o quadro atual. A palavra política virou quase um palavrão na visão de muitas pessoas e isso afasta as pessoas boas da política. Com a graça de Deus iremos mudar o contexto atual a partir daquilo que nos pede a CNBB: uma imediata reforma política – destaca o padre Márcio André Ribeiro, um dos organizadores do movimento orientado pelo bispo diocesano dom Roberto Francisco Ferreria Paz.
Encontro de padres
No dia 9 de maio o bispo vai reunir os padres e fieis da Diocese, a partir das 10h, no Centro Diocesano de Pastoral, para definir a comissão. O Centro funciona anexo à paróquia Nossa Senhora do Rosário, no Parque Leopoldina.
Para o bispo dom Roberto Francisco, a Pastoral da Cidadania abre uma janela para interface entre a igreja e a sociedade, capacitando líderes cristãos para militar e se colocar a serviço da transformação social.
Dom Roberto enfatiza que “sem a participação dos leigos na política, a corrupção e a apatia tomam conta da sociedade civil, permitindo que cargos públicos e governos fiquem sob o domínio dos piores e canalhas”.
– Por outro lado, esta pastoral não só vai formar lideranças para os cargos representativos, como também vai habilitar os cristãos para renovar o tecido social com o associativismo, fortalecendo a sociedade civil, integrando e articulando os conselhos partidários –, disse.
Dom Roberto explica que o projeto é fundar uma Escola do Bem Comum e Cidadania em Campos na mesma linha do CEFEP de Brasília. A igreja também pretende continuar com as campanhas do Voto Consciente, Ficha Limpa e Reforma Política.
– O Sínodo da Diocese de Campos instituiu que esta pastoral da cidadania deve ser instalada em todas as Paróquias e comunidades, visando o acompanhamento e esclarecimento cívico nas eleições, o controle social sobre o orçamento municipal, lutando pela transparência e a destinação justa dos recursos públicos – salientou o bispo.
– Consideramos a Pastoral da Cidadania é uma resposta inspirada e profética que vai ao encontro de um esvaziamento da Democracia, propondo o resgate da ética na política e a formação de novas – disse.








