Os crimes virtuais avançam em ritmo acelerado no Brasil e já alcançam uma parcela significativa da população. Um levantamento da empresa de segurança digital BioCatch indica que mais da metade dos brasileiros já foi vítima de algum tipo de golpe online, incluindo fraudes financeiras realizadas por meio do Pix.
Especialistas alertam que muitas dessas ocorrências poderiam ser evitadas com cuidados simples no cotidiano digital. Para a coordenadora de pesquisa do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (Iris), Fernanda Rodrigues, a atenção deve ser redobrada diante de contatos inesperados, principalmente mensagens que simulam pedidos urgentes de ajuda financeira.
Segundo ela, um golpe comum envolve criminosos que se passam por familiares ou amigos, alegando troca de número de telefone e solicitando transferências imediatas.
Outra recomendação importante é limitar a visualização da foto de perfil no WhatsApp apenas para contatos conhecidos, reduzindo o risco de uso indevido da imagem em tentativas de fraude.
Os dados do estudo apontam que os prejuízos provocados por golpes via Pix já se aproximam de R$ 5 bilhões no Brasil, reforçando o impacto financeiro expressivo desse tipo de crime.
Fraudes cada vez mais sofisticadas
Na América Latina, duas modalidades se destacam pela recorrência. O smishing utiliza mensagens de texto para induzir vítimas a clicar em links maliciosos ou fornecer dados pessoais, enquanto o vishing se baseia em ligações telefônicas nas quais golpistas pressionam emocionalmente as pessoas a revelar informações confidenciais.
No Brasil, o crescimento dessas práticas chama atenção. O número de golpes aplicados por SMS aumentou 14 vezes nos últimos anos, enquanto o uso de deepfakes — tecnologia que simula vozes e imagens de pessoas reais — teve um crescimento superior a 800%, elevando o grau de sofisticação das fraudes.
Em escala global, o relatório da BioCatch registra um aumento anual de 14% nos golpes relacionados a compras online, crescimento de 100% nas fraudes por voz e avanço de 42% nos golpes de investimento, que prometem lucros rápidos e elevados, geralmente irreais.
Fábricas de fraude e alerta internacional
O estudo também revela a existência das chamadas “fábricas de fraude”, estruturas criminosas organizadas principalmente em cidades do Camboja. Nesses locais, trabalhadores são submetidos a condições análogas à escravidão para aplicar golpes de forma contínua e em grande escala.
Segundo o alerta da BioCatch, esse modelo criminoso vem se expandindo globalmente e pode chegar em breve à América do Sul, ampliando ainda mais o desafio para autoridades, empresas e usuários.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância da educação digital, da desconfiança diante de promessas fáceis e da verificação cuidadosa de qualquer solicitação financeira recebida por meios digitais.
*Da Agência Fonte Exclusiva








