O discurso do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, durante o Congresso Alemão do Comércio, no último dia 13 de novembro, continua repercutindo intensamente no Brasil. A fala, divulgada integralmente pela federação do varejo alemão (HDE) e pelo governo alemão, foi usada por Merz para defender que empresários valorizem o ambiente econômico alemão, classificado por ele como “um dos países mais bonitos do mundo”. No entanto, ao relatar sua participação na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará, o chanceler fez comparações que foram interpretadas como depreciativas ao Brasil e, em especial, à capital paraense.
Durante o discurso, Merz afirmou ter perguntado a jornalistas alemães que o acompanhavam quem gostaria de permanecer no Brasil após o evento — e disse que nenhum deles levantou a mão. Segundo ele, todos teriam ficado “contentes” com o retorno à Alemanha na noite de sexta para sábado, “especialmente daquele lugar onde estávamos”, em referência a Belém.
A emissora pública alemã Deutsche Welle destacou que, ao mencionar o Brasil dessa forma, o chanceler reforçava sua tese de que a Alemanha oferece um ambiente comercial mais estável, seguro e competitivo do que economias emergentes, como a brasileira. Ainda assim, a declaração repercutiu negativamente por soar como menosprezo ao país e à região amazônica.
A reação de autoridades brasileiras não demorou. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi um dos mais duros críticos. Em publicação na rede social X, afirmou: “Como meus amigos Igor Normando [prefeito de Belém] e Helder Barbalho [governador do Pará] são muito educados, eu digo aqui o que eles pensaram: FILHOTE DE HITLER VAGABUNDO! NAZISTA!”.
O prefeito de Belém, Igor Normando, classificou a fala como “infeliz, arrogante e preconceituosa”, lembrando que a Amazônia é responsável por contribuir decisivamente para o equilíbrio ambiental do planeta:
“A Amazônia ajudou o mundo a respirar. É hora de conhecerem a realidade do povo da floresta e terem empatia para seu desenvolvimento sustentável”, declarou.
O governador do Pará, Helder Barbalho, também repudiou a declaração, afirmando que o “discurso preconceituoso revela mais sobre quem fala do que sobre quem é falado”, segundo informou o portal g1.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








